Poesias Escondidas


Uma pequena demonstração do amor pela nossa língua e nosso idioma, mesmo quando a poesia ou a letra de música for de autoria de um estrangeiro, sendo ou não radicado no Brasil, só serão publicadas as traduções ( caso o idioma não seja a língua portuguesa )...

sábado, 4 de novembro de 2017

Rio Moderno

Pedro Luis

O rio, cidade que é sede
Dos jogos do amor, excede
Em convites que são mais de mile vão do mais óbvio e vil
Ao mais tênue, mais sutil,
E fazem do rio o rio.

E quem teme ou não topa o que é bom
Do leme até o leblon
E em copa do réveillon,
Do posto 6, de drummond?
Do sambódromo do semi-nu,

De um carnaval com glamour,
A um discreto grajaú,
Sempre se rompe um tabu.
A beleza da força no ar
Da natureza invulgar
Desse lugar singular
Convida-nos a amar.

O rio, cidade com sede
De fogo de amor, concede
Liberdade para azaração,
Points, mato de montão
Para caça e pegação.
Praia, praça, calçadão.

Ipanema de cada sereiagata sarada na areia,
De tanta bandeira gay a
Fazer olhar quem vagueia.
O ao redor da rodrigo de freitas,
Onde tu, amigo, espreitas
Perfis e pernas perfeitas
Sonhando com quem te deitas.

E quem quer ficar só, por azar?
Lá na lapa em cada bar,
Ao som do samba no ar,
Sorte de quem azarar!

O rio, cidade que é sede
Dos jogos do amor, se excede
Na cachorra do morro que excita
O baile em que ela exorbita
No sexo que se explicita
No funk que ela exercita.

Mas o cristo afinal redentor
Vem abençoar o suor
De um par adorando o pôr
Agora no arpoador.

A visão da baía que é duca
Causa a vertigem maluca
E eu quase morro da urca
Ao pico do pão de açúcar.

Uma louca sugesta no ar,
De festa a se preparar,
De êxtase par a par,
Convida-nos a ficar.

sábado, 28 de outubro de 2017

Convite

José Paulo Paes

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.

Só que
bola, papagaio,pião
de tanto brincar
se gastam

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.

Como a água do rio
que é água sempre nova a cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

ABD Do Nordeste Flagelado

Patativa do Assaré

A — Ai, como é duro viver
nos Estados do Nordeste
quando  o nosso Pai Celeste
não manda a nuvem chover.
É bem triste a gente ver
findar o mês de janeiro
depois findar fevereiro
e março também passar,
sem o inverno começar
no Nordeste brasileiro.

B — Berra o gado impaciente
reclamando o verde pasto,
desfigurado e arrasto,
com o olhar de penitente;
o fazendeiro, descrente,
um jeito não pode dar,
o sol ardente a queimar
e o vento forte soprando,
a gente fica pensando
que o mundo vai se acabar.
    
C — Caminhando pelo espaço,
como os trapos de um lençol,
pras bandas do pôr do sol,
as nuvens vão em fracasso:
aqui e ali um pedaço
vagando... sempre vagando,
quem estiver reparando
faz logo a comparação
de umas pastas de algodão
que o vento vai carregando.

D — De manhã, bem de manhã,
vem da montanha um agouro
de gargalhada e de choro
da feia e triste cauã:
um bando de ribançã
pelo espaço a se perder,
pra de fome não morrer,
vai atrás de outro lugar,
e ali só há de voltar,
um dia, quando chover.

E — Em tudo se vê mudança
quem repara vê até
que o camaleão que é
verde da cor da esperança,
com o flagelo que avança,
muda logo de feição. 
O verde camaleão
perde a sua cor bonita
fica de forma esquisita
que causa admiração.

F — Foge o prazer da floresta
o bonito sabiá,
quando flagelo não há
cantando se manifesta.
Durante o inverno faz festa
gorjeando por esporte,
mas não chovendo é sem sorte,
fica sem graça e calado
o cantor mais afamado
  dos passarinhos do norte.

G — Geme de dor, se aquebranta
e dali desaparece,
o sabiá só parece
que com a seca se encanta. 
Se outro pássaro canta,
o coitado não responde;
ele vai não sei pra onde,
pois quando o inverno não vem
com o desgosto que tem
o pobrezinho se esconde.

H — Horroroso, feio e mau
de lá de dentro das grotas,
manda suas feias notas
o tristonho bacurau.
Canta o João corta-pau
o seu poema funério,
é muito triste o mistério
de uma seca no sertão;
a gente tem impressão
que o mundo é um cemitério.

I — Ilusão, prazer, amor,
a gente sente fugir,
tudo parece carpir
tristeza, saudade e dor. 
Nas horas de mais calor,
se escuta pra todo lado
o toque desafinado
da gaita da seriema
acompanhando o cinema
no Nordeste flagelado.

J — Já falei sobre a desgraça
dos animais do Nordeste;
com a seca vem a peste
e a vida fica sem graça. 
Quanto mais dia se passa
mais a dor se multiplica;
a mata que já foi rica,
de tristeza geme e chora. 
Preciso dizer agora
o povo como é que fica.

L — Lamento desconsolado
o coitado camponês
porque tanto esforço fez,
mas não lucrou seu roçado. 
Num banco velho, sentado,
olhando o filho inocente
e a mulher bem paciente,
cozinha lá no fogão
o derradeiro feijão
que ele guardou pra semente.

M — Minha boa companheira,
diz ele, vamos embora,
e depressa, sem demora
vende a sua cartucheira. 
Vende a faca, a roçadeira,
machado, foice e facão;
vende a pobre habitação,
galinha, cabra e suíno
e viajam sem destino
em cima de um caminhão.
    

N — Naquele duro transporte
sai aquela pobre gente,
agüentando paciente
o rigor da triste sorte. 
Levando a saudade forte
de seu povo e seu lugar,
sem um nem outro falar,
vão pensando em sua vida,
deixando a terra querida,
para nunca mais voltar.

O — Outro tem opinião
de deixar mãe, deixar pai,
porém para o Sul não vai,
procura outra direção. 
Vai bater no Maranhão
onde nunca falta inverno;
outro com grande consterno
deixa o casebre e a mobília
e leva a sua família
pra construção do governo.

P – Porém lá na construção,
o seu viver é grosseiro
trabalhando o dia inteiro
de picareta na mão.
Pra sua manutenção
chegando dia marcado
em vez do seu ordenado
dentro da repartição,
recebe triste ração,
farinha e feijão furado.
    

Q — Quem quer ver o sofrimento,
quando há seca no sertão,
procura uma construção
e entra no fornecimento.
Pois, dentro dele o alimento
que o pobre tem a comer,
a barriga pode encher,
porém falta a substância,
e com esta circunstância,
começa o povo a morrer.

R — Raquítica, pálida e doente
fica a pobre criatura
e a boca da sepultura
vai engolindo o inocente. 
Meu Jesus!  Meu Pai Clemente,
que da humanidade é dono,
desça de seu alto trono,
da sua corte celeste
e venha ver seu Nordeste
como ele está no abandono.

S — Sofre o casado e o solteiro
sofre o velho, sofre o moço,
não tem janta, nem almoço,
não tem roupa nem dinheiro. 
Também sofre o fazendeiro
que de rico perde o nome,
o desgosto lhe consome,
vendo o urubu esfomeado,
puxando a pele do gado
que morreu de sede e fome.
    

T — Tudo sofre e não resiste
este fardo tão pesado,
no Nordeste flagelado
em tudo a tristeza existe. 
Mas a tristeza mais triste
que faz tudo entristecer,
é a mãe chorosa, a gemer,
lágrimas dos olhos correndo,
vendo seu filho dizendo:
mamãe, eu quero morrer!

U — Um é ver, outro é contar
quem for reparar de perto
aquele mundo deserto,
dá vontade de chorar.
Ali só fica a teimar
o juazeiro copado,
o resto é tudo pelado
da chapada ao tabuleiro
onde o famoso vaqueiro
cantava tangendo o gado.

V — Vivendo em grande maltrato,
a abelha zumbindo voa,
sem direção, sempre à toa,
por causa do desacato.
À procura de um regato,
de um jardim ou de um pomar
sem um momento parar,
vagando constantemente,
sem encontrar, a inocente,
uma flor para pousar.
    

X — Xexéu, pássaro que mora
na grande árvore copada,
vendo a floresta arrasada,
bate as asas, vai embora. 
Somente o saguim demora,
pulando a fazer careta;
na mata tingida e preta,
tudo é aflição e pranto;
só por milagre de um santo,
se encontra uma borboleta.

Z — Zangado contra o sertão
dardeja o sol inclemente,
cada dia mais ardente
tostando a face do chão. 
E, mostrando compaixão
lá do infinito estrelado,
pura, limpa, sem pecado
de noite a lua derrama
um banho de luz no drama
do Nordeste flagelado.

Posso dizer que cantei
aquilo que observei;
tenho certeza que dei
 aprovada relação.
Tudo é tristeza e amargura,
indigência e desventura.
— Veja, leitor, quanto é dura
a seca no meu sertão.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Opinário

Álvaro de Campos

(Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro)

É antes do ópio que a minh'alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Esta vida de bordo há-de matar-me.
São dias só de febre na cabeça
E, por mais que procure até que adoeça,
já não encontro a mola pra adaptar-me.

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os próprios gozos gânglios do meu mal.

É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes.

Vou cambaleando através do lavor
Duma vida-interior de renda e laca.
Tenho a impressão de ter em casa a faca
Com que foi degolado o Precursor.

Ando expiando um crime numa mala,
Que um avô meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala.

Ao toque adormecido da morfina
Perco-me em transparências latejantes
E numa noite cheia de brilhantes,
Ergue-se a lua como a minha Sina.

Eu, que fui sempre um mau estudante, agora
Não faço mais que ver o navio ir
Pelo canal de Suez a conduzir
A minha vida, cânfora na aurora.

Perdi os dias que já aproveitara.
Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.

E fui criança como toda a gente.
Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamente.

Gostava de ter poemas e novelas
Publicados por Plon e no Mercure,
Mas é impossível que esta vida dure.
Se nesta viagem nem houve procelas!

A vida a bordo é uma coisa triste,
Embora a gente se divirta às vezes.
Falo com alemães, suecos e ingleses
E a minha mágoa de viver persiste.

Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver.

Por isso eu tomo ópio. É um remédio
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio.

Fumo.  Canso.  Ah uma terra aonde, enfim,
Muito a leste não fosse o oeste já!
Pra que fui visitar a Índia que há
Se não há Índia senão a alma em mim?

Sou desgraçado por meu morgadio.
Os ciganos roubaram minha Sorte.
Talvez nem mesmo encontre ao pé da morte
Um lugar que me abrigue do meu frio.

Eu fingi que estudei engenharia.
Vivi na Escócia.  Visitei a Irlanda.
Meu coração é uma avòzinha que anda
Pedindo esmola às portas da Alegria.

Não chegues a Port-Said, navio de ferro!
Volta à direita, nem eu sei para onde.
Passo os dias no smokink-room com o conde -
Um escroc francês, conde de fim de enterro.

Volto à Europa descontente, e em sortes
De vir a ser um poeta sonambólico.
Eu sou monárquico mas não católico
E gostava de ser as coisas fortes.

Gostava de ter crenças e dinheiro,
Ser vária gente insípida que vi.
Hoje, afinal, não sou senão, aqui,
Num navio qualquer um passageiro.

Não tenho personalidade alguma.
É mais notado que eu esse criado
De bordo que tem um belo modo alçado
De laird escocês há dias em jejum.

Não posso estar em parte alguma.
A minha Pátria é onde não estou.
Sou doente e fraco.
O comissário de bordo é velhaco.
Viu-me co'a sueca...  e o resto ele adivinha.

Um dia faço escândalo cá a bordo,
Só para dar que falar de mim aos mais.
Não posso com a vida, e acho fatais
As iras com que às vezes me debordo.

Levo o dia a fumar, a beber coisas,
Drogas americanas que entontecem,
E eu já tão bêbado sem nada!  Dessem
Melhor cérebro aos meus nervos como rosas.

Escrevo estas linhas.  Parece impossível
Que mesmo ao ter talento eu mal o sinta!
O fato é que esta vida é uma quinta
Onde se aborrece uma alma sensível.

Os ingleses são feitos pra existir.
Não há gente como esta pra estar feita
Com a Tranqüilidade.  A gente deita
Um vintém e sai um deles a sorrir.

Pertenço a um gênero de portugueses
Que depois de estar a Índia descoberta
Ficaram sem trabalho.  A morte é certa.
Tenho pensado nisto muitas vezes.

Leve o diabo a vida e a gente tê-la!
Nem leio o livro à minha cabeceira.
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bela.

Caio no ópio por força.  Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir.  Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer,

Que um raio as parta!  E isto afinal é inveja.
Porque estes nervos são a minha morte.
Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja!

Ora!  Eu cansava-me o mesmo modo.
Qu'ria outro ópio mais forte pra ir de ali
Para sonhos que dessem cabo de mim
E pregassem comigo nalgum lodo.

Febre!  Se isto que tenho não é febre,
Não sei como é que se tem febre e sente.
O fato essencial é que estou doente.
Está corrida, amigos, esta lebre.

Veio a noite.  Tocou já a primeira
Corneta, pra vestir para o jantar.
Vida social por cima!  Isso!  E marchar
Até que a gente saia pla coleira!

Porque isto acaba mal e há-de haver
(Olá!) sangue e um revólver lá pró fim
Deste desassossego que há em mim
E não há forma de se resolver.

E quem me olhar, há-de-me achar banal,
A mim e à minha vida... Ora! um rapaz...
O meu próprio monóculo me faz
Pertencer a um tipo universal.

Ah quanta alma viverá, que ande metida
Assim como eu na Linha, e como eu mística!
Quantos sob a casaca característica
Não terão como eu o horror à vida?

Se ao menos eu por fora fosse tão
Interessante como sou por dentro!
Vou no Maelstrom, cada vez mais pró centro.
Não fazer nada é a minha perdição.

Um inútil.  Mas é tão justo sê-lo!
Pudesse a gente desprezar os outros
E, ainda que co'os cotovelos rotos,
Ser herói, doido, amaldiçoado ou belo!

Tenho vontade de levar as mãos
À boca e morder nelas fundo e a mal.
Era uma ocupação original
E distraía os outros, os tais sãos.

O absurdo, como uma flor da tal Índia
Que não vim encontrar na Índia, nasce
No meu cérebro farto de cansar-se.
A minha vida mude-a Deus ou finde-a ...

Deixe-me estar aqui, nesta cadeira,
Até virem meter-me no caixão.
Nasci pra mandarim de condição,
Mas falta-me o sossego, o chá e a esteira.

Ah que bom que era ir daqui de caída
Pra cova por um alçapão de estouro!
A vida sabe-me a tabaco louro.
Nunca fiz mais do que fumar a vida.

E afinal o que quero é fé, é calma,
E não ter estas sensações confusas.
 Deus que acabe com isto!  Abra as eclusas —
E basta de comédias na minh'alma!

(No Canal de Suez, a bordo)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Acreditare

Arthur Basilio

 Acreditar firmemente naquilo que buscamos,
é condição fundamental para alcançarmos o que queremos.
A fé não admite dúvidas.
Sempre que revelamos nossa pouca fé naquilo que dizemos, os resultados são nulos.
A mensagem negativa sempre predominará quando houver sinais de medo,
de insegurança e de dúvidas.
O lado negativo é acompanhado de uma emoção maior e por isso sempre vence.
Muitas vezes, programamos e pedimos a Deus,
algo e não conseguimos exatamente aquilo que desejamos,
ou ás vezes nos vem alguma coisa bem diferente do que havíamos pensado.
É bem possível que esteja acontecendo algo que,
embora não compreendamos logo, seja muito melhor para nós.

sábado, 7 de outubro de 2017

Grande Amor

Thais Guimarães

 ao poeta João Batista Jorge
 
Posto o morto, raso o poço.
Precisei retornar.
E retornei para olhar
o corpo do amor
que não me coube enterrar.

Foi longo o tempo
entre carne e terra
entre terra e ar

palavra e poesia.

Hoje, compreendo o que morre
e o que nunca morrerá.

Das Vantagens De Ser Confuso

Nicolas Behr

Olhar e ver tudo torto, errado
das vantagens de ser incoerente
demente, temente, tenente, patente
das vantagens de ser repititititititivo
das vantagens de ser livre, foda-se!
das vantagens de se fingir de morto
qual peixe na feira, olho aberto, parado
das vantagens de ser totalmente louco,
pirado, sem nenhum compromisso com
nada, escravo da mente, sem consciência
celular, sem celular, sem a porra da
agenda, sem rima, sem nada,
só a loucura insana a te emoldurar
a alma
loucura - esta bela armadura
esta couraça intransponível
este colete a prova de tudo
este poema, impiedoso,
a te perfurar o coração

Robogótica

Márcia Flausina

Sem palavras não vou
aos batizados
casamentos
aniversários

Sem palavras não vou
aos comícios
eleições
solenidades

Sem palavras não vou
aos espetáculos
lançamentos
exposições

Sem palavras nunca fui
não sou
nunca serei
atitude não tomei
gestos não fiz

Sem palavras não têm nome
o sábado
o domingo
as testemunhas
as certidões
Como tomei a palavra
tomem versos

O Abrealas

Edimilson de Almeida Pereira

Tudo nos rejeita.
Houve angústia, tua floresta de nãos
quis no entanto removê-la.
Tardos, criaremos coisas mortas
mesmo que o sol permaneça. Cresce
com o dia nossa hesitação.
Então nos ferimos.
Quando soubermos essa dor
muito grandes para a vida e a morte
andaremos num desfile.
Não fingiremos. Chegaremos
ao sentido de nós mesmos como um
corpo que se abre noutro corpo.

sábado, 26 de agosto de 2017

Amor Em Lótus

L Henrique Mignone

Hoje e agora eu quero, preciso fazer amor contigo
De uma forma, talvez, como nunca fizemos antes,
Quero viver o verdadeiro derradeiro amor amigo
Etéreo, terno, eterno, infinito em seu finito instante.

Sentemo-nos nus, frente a frente, em um amplexo,
Coxas entrelaçadas em lótus, teus seios em meu peito,
Perfeita sintonia na sinfonia de côncavo e convexo
De nossos corpos emoldurados no jardim de nosso leito.

Acolha-me em teu ventre, assim, úmida e carinhosa,
Olhos nos olhos, lábios colados na doçura de um beijo,
Preencha-te de mim, suga-me com as pétalas de tua rosa.

Sinta-me pulsar em teu útero, mesmo que por segundos,
Como também te sentirei, incessante e crescente arpejo
Apoteótico orgasmo, ritmo da vida, essência do mundo.