Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Poesias Escondidas
domingo, 23 de março de 2014
Aos Olhos Dele
Florbela Espanca
Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa;
Pelo azul do ar. E assim fugiram
As minhas doces crenças de criança.
Fiquei então sem fé; e a toda a gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!
Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:
Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!
Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa;
Pelo azul do ar. E assim fugiram
As minhas doces crenças de criança.
Fiquei então sem fé; e a toda a gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!
Mas avisto os teus olhos, meu amor,
Duma luz suavíssima de dor...
E grito então ao ver esses dois céus:
Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa
Que criou esse brilho que m'encanta!
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!
sábado, 8 de março de 2014
Circum-Lóquio
Haroldo de Campos
(pur troppo non allegro)
sobre o neoliberalismo terceiro-mundista
neolibera:
de tanto neoliberar
o neoliberal
neolibera-se de neoliberar
tudo aquilo que não seja neo (leo)
libérrimo:
o livre quinhão do leão
neoliberal a corvéia da ovelha
neolibera
o que neoliberar
para os não-neoliberados:
o labéu?
o libelo?
a libré do lacaio?
a argola do galé?
o ventre-livre?
a bóia-rala?
o prato raso?
a comunhão do atraso?
a ex-comunhão dos ex-clusos?
o amanhã sem fé?
o café requentado?
a queda em parafuso?
o pé de chinelo?
o pé no chão?
o bicho de pé?
a ração da ralé?
do neoliberal
anjos-yuppies
bochechas cor-de-bife
privatizam
a rosácea do paraíso
de dante
enquanto lancham
fast-food
e super
(visionários) visam
com olho magnânimo
as bandas
(flutuantes)
do câmbio:
enquanto o não
- neoliberado
come pão
com salame
(quando come)
ele dorme
sonhando
com torneiras de ouro
e a hidrobanheira cor
de âmbar
de sua neo-
mansão em Miami.
4.
o centro e a direita
(des)conversam
sobre o social
(questão de polícia):
o desemprego um mal
conjuntural
(conjetural)
pois no céu da estatís-
tica o futuro
se decide pela lei
dos grandes números
sonha um mundo higiênico:
um ecúmeno de ecônomos
de economistas e atuários
de jogadores na bolsa
de gerentes
de supermercado
de capitães de indústria
e latifundários de
banqueiros
- banquiplenos ou
banquirrotos
(que importa?
dede que circule
autoregulante
o necessário
plusvalioso
numerário)
um mundo executivo
de mega-empresários
duros e puros
mós sem dó
mais atento ao lucro
que ao salário
solitários (no câncer)
antes que solidários:
um mundo onde deus
não jogue dados
e onde tudo dure para sempre
e sempremente nada mude
um confortável
estável
confiável
mundo contábil.
contramundo
o mundo-não
-mundo cão-
dos deserdados:
o anti-higiênico
gueto dos
sem-saída
dos excluídos pelo
deus-sistema
cana esmagada
pela moenda
pela roda dentada
dos enjeitados:
um mundo-pêsames
de pequenos
cidadãos-menos
de gente-gado
de civis
sub-servis
de povo-ônus
que não tem lugar marcado
no campo do possível
da economia de mercado
(onde mercúrio serve ao deus mamonas)
sonha um admirável
mundo fixo
de argentários e multinacionais
terratenentes terrapotentes coronéis políticos
milenaristas (cooptados) do perpétuo
status quo:
um mundo privé
palácio de cristal
à prova de balas:
bunker blau
durando para sempre - festa estática
(ainda que sustente sobre fictas
palafitas
e estas sobre uma lata
de lixo)
(pur troppo non allegro)
sobre o neoliberalismo terceiro-mundista
1.
o neoliberalneolibera:
de tanto neoliberar
o neoliberal
neolibera-se de neoliberar
tudo aquilo que não seja neo (leo)
libérrimo:
o livre quinhão do leão
neoliberal a corvéia da ovelha
2.
o neoliberal neolibera
o que neoliberar
para os não-neoliberados:
o labéu?
o libelo?
a libré do lacaio?
a argola do galé?
o ventre-livre?
a bóia-rala?
o prato raso?
a comunhão do atraso?
a ex-comunhão dos ex-clusos?
o amanhã sem fé?
o café requentado?
a queda em parafuso?
o pé de chinelo?
o pé no chão?
o bicho de pé?
a ração da ralé?
3.
no céu neondo neoliberal
anjos-yuppies
bochechas cor-de-bife
privatizam
a rosácea do paraíso
de dante
enquanto lancham
fast-food
e super
(visionários) visam
com olho magnânimo
as bandas
(flutuantes)
do câmbio:
enquanto o não
- neoliberado
come pão
com salame
(quando come)
ele dorme
sonhando
com torneiras de ouro
e a hidrobanheira cor
de âmbar
de sua neo-
mansão em Miami.
4.
o centro e a direita
(des)conversam
sobre o social
(questão de polícia):
o desemprego um mal
conjuntural
(conjetural)
pois no céu da estatís-
tica o futuro
se decide pela lei
dos grandes números
5.
o neoliberalsonha um mundo higiênico:
um ecúmeno de ecônomos
de economistas e atuários
de jogadores na bolsa
de gerentes
de supermercado
de capitães de indústria
e latifundários de
banqueiros
- banquiplenos ou
banquirrotos
(que importa?
dede que circule
autoregulante
o necessário
plusvalioso
numerário)
um mundo executivo
de mega-empresários
duros e puros
mós sem dó
mais atento ao lucro
que ao salário
solitários (no câncer)
antes que solidários:
um mundo onde deus
não jogue dados
e onde tudo dure para sempre
e sempremente nada mude
um confortável
estável
confiável
mundo contábil.
6.
(acontramundo
o mundo-não
-mundo cão-
dos deserdados:
o anti-higiênico
gueto dos
sem-saída
dos excluídos pelo
deus-sistema
cana esmagada
pela moenda
pela roda dentada
dos enjeitados:
um mundo-pêsames
de pequenos
cidadãos-menos
de gente-gado
de civis
sub-servis
de povo-ônus
que não tem lugar marcado
no campo do possível
da economia de mercado
(onde mercúrio serve ao deus mamonas)
7.
o neoliberalsonha um admirável
mundo fixo
de argentários e multinacionais
terratenentes terrapotentes coronéis políticos
milenaristas (cooptados) do perpétuo
status quo:
um mundo privé
palácio de cristal
à prova de balas:
bunker blau
durando para sempre - festa estática
(ainda que sustente sobre fictas
palafitas
e estas sobre uma lata
de lixo)
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
O Bordado Cruel
Alexei Bueno
Quando era noite, atrás daquela porta,
junto a uma vela duas velhas riam
Matando aos poucos uma aranha torta.
E a alegria que elas dividiam
Poucos tiveram já no mundo um dia,
Mas os que a achavam sempre a bendiziam.
Cheia de medo, a criatura fria
Dançava horrível rente de uma chama
Que lentamente o corpo lhe roía,
E as velhas rindo a observar da cama
Iam falando sobre de que modo
Com dor mais lenta um corpo vil se inflama.
Espécie estranha de um vivente lodo,
Sendo corcunda e só com sete pernas
A aranha uivava por seu corpo todo
Que se expandia em inchações externas
Causando às velhas, com o vermelho horrendo
Do seu ardor, as sensações mais ternas...
Emocionadas, com as mãos tremendo,
Vieram então com um bando de alfinetes
Que em cada pata foram se prendendo,
E a aranha presa de mil cacoetes
Foi só os espinhos de uma prata ardente
Que a recobria em infernais coletes.
E nesta arte foram indo em frente,
Depois agulhas, e um perfume ardido,
E ao fim de tudo uma tesoura ingente,
Até que o fogo e o animal vencido
Murcharam juntos sobre a mesa irada
Em mil pedaços de um negror transido,
E ambas as velhas, conhecendo o nada,
Com face imensa devoraram tudo
Que lhes restava da fatal jornada.
Enquanto, a olhá-las, um retrato mudo
De seu marido ia chorando as dores
Que o recobriam no ancestral escudo,
E todo o chão ia se abrindo em flores
E uma criança, que ninguém notara,
Pela janela olhava sem temores
E ia crescendo, e de uma forma rara,
Enquanto as velhas, enxugando as portas,
Varriam tétricas, na noite clara,
Todo o amargor das profecias mortas!
Quando era noite, atrás daquela porta,
junto a uma vela duas velhas riam
Matando aos poucos uma aranha torta.
E a alegria que elas dividiam
Poucos tiveram já no mundo um dia,
Mas os que a achavam sempre a bendiziam.
Cheia de medo, a criatura fria
Dançava horrível rente de uma chama
Que lentamente o corpo lhe roía,
E as velhas rindo a observar da cama
Iam falando sobre de que modo
Com dor mais lenta um corpo vil se inflama.
Espécie estranha de um vivente lodo,
Sendo corcunda e só com sete pernas
A aranha uivava por seu corpo todo
Que se expandia em inchações externas
Causando às velhas, com o vermelho horrendo
Do seu ardor, as sensações mais ternas...
Emocionadas, com as mãos tremendo,
Vieram então com um bando de alfinetes
Que em cada pata foram se prendendo,
E a aranha presa de mil cacoetes
Foi só os espinhos de uma prata ardente
Que a recobria em infernais coletes.
E nesta arte foram indo em frente,
Depois agulhas, e um perfume ardido,
E ao fim de tudo uma tesoura ingente,
Até que o fogo e o animal vencido
Murcharam juntos sobre a mesa irada
Em mil pedaços de um negror transido,
E ambas as velhas, conhecendo o nada,
Com face imensa devoraram tudo
Que lhes restava da fatal jornada.
Enquanto, a olhá-las, um retrato mudo
De seu marido ia chorando as dores
Que o recobriam no ancestral escudo,
E todo o chão ia se abrindo em flores
E uma criança, que ninguém notara,
Pela janela olhava sem temores
E ia crescendo, e de uma forma rara,
Enquanto as velhas, enxugando as portas,
Varriam tétricas, na noite clara,
Todo o amargor das profecias mortas!
Tempo De Amor
Baden Powell / Vinícius de Morais
Ah, bem melhor seria
Poder viver em paz
Sem ter que sofrer
Sem ter que chorar
Sem ter que querer
Sem ter que se dar
Ah, bem melhor seria
Poder viver em paz
Sem ter que sofrer
Sem ter que chorar
Sem ter que querer
Sem ter que se dar
Mas tem que sofrer
Mas tem que chorar
Mas tem que querer
Pra poder amar
Ah, mundo enganador
Paz não quer mais dizer amor
Ah, não existe coisa mais triste que ter paz
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais
O tempo de amor
É tempo de dor
O tempo de paz
Não faz nem desfaz
Ah, que não seja meu
O mundo onde o amor morreu
Ah, não existe coisa mais triste que ter paz
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais
Ah, bem melhor seria
Poder viver em paz
Sem ter que sofrer
Sem ter que chorar
Sem ter que querer
Sem ter que se dar
Ah, bem melhor seria
Poder viver em paz
Sem ter que sofrer
Sem ter que chorar
Sem ter que querer
Sem ter que se dar
Mas tem que sofrer
Mas tem que chorar
Mas tem que querer
Pra poder amar
Ah, mundo enganador
Paz não quer mais dizer amor
Ah, não existe coisa mais triste que ter paz
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais
O tempo de amor
É tempo de dor
O tempo de paz
Não faz nem desfaz
Ah, que não seja meu
O mundo onde o amor morreu
Ah, não existe coisa mais triste que ter paz
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais
A Tua Vida É Um Segredo
Lamartine Babo
A tua vida é... é um segredo
É um romance e tem... e tem enredo
A tua vida, é um livro amarelado
Lembranças do passado
Folhas soltas da saudade
A tua vida, romance igual ao meu
Igual a muitos outros
Que o destino me escreveu
A tua vida, foi sonho e foi ventura
Foi lágrima caída
No caminho da amargura
São nossas vidas
Comédias sempre iguais
Três atos de mentira
Cai o pano e nada mais
A tua vida é... é um segredo
É um romance e tem... e tem enredo
A tua vida, é um livro amarelado
Lembranças do passado
Folhas soltas da saudade
A tua vida, romance igual ao meu
Igual a muitos outros
Que o destino me escreveu
A tua vida, foi sonho e foi ventura
Foi lágrima caída
No caminho da amargura
São nossas vidas
Comédias sempre iguais
Três atos de mentira
Cai o pano e nada mais
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Delírios II - Alquimia Do Verbo
Jean-Athur Rimbaud
Para mim. A história das minhas loucuras.
Há muito me gabava de possuir todas
as paisagens possíveis, e julgava irrisórias
as celebridades da pintura e da poesia moderna.
Gostava das pinturas idiotas, em portas,
decorações, telas circenses, placas,
iluminuras populares; a literatura fora de moda,
o latim da igreja, livros eróticos sem ortografia,
romances de nossos antepassados,
contos de fadas, pequenos livros infantis,
velhas óperas, estribilhos ingênuos,
ritmos ingênuos.
Sonhava com as cruzadas, viagens de
descobertas de que não existem relatos,
repúblicas sem histórias, guerras de religião
esmagadas, revoluções de costumes,
deslocamentos de raças e continentes:
acreditava em todas as magias.
Inventava a cor das vogais!
- A negro E branco, I vermelho, O azul, U verde.
Regulava a forma e o movimento de cada consoante,
e, com ritmos instintivos,
me vangloriava de ter inventado um verbo poético acessível,
um dia ou outro, a todos os sentidos.
Era comigo traduzi-los.
Foi primeiro um experimento.
Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível.
Fixava vertigens.
Tradução de Paulo Hecker Filho
Para mim. A história das minhas loucuras.
Há muito me gabava de possuir todas
as paisagens possíveis, e julgava irrisórias
as celebridades da pintura e da poesia moderna.
Gostava das pinturas idiotas, em portas,
decorações, telas circenses, placas,
iluminuras populares; a literatura fora de moda,
o latim da igreja, livros eróticos sem ortografia,
romances de nossos antepassados,
contos de fadas, pequenos livros infantis,
velhas óperas, estribilhos ingênuos,
ritmos ingênuos.
Sonhava com as cruzadas, viagens de
descobertas de que não existem relatos,
repúblicas sem histórias, guerras de religião
esmagadas, revoluções de costumes,
deslocamentos de raças e continentes:
acreditava em todas as magias.
Inventava a cor das vogais!
- A negro E branco, I vermelho, O azul, U verde.
Regulava a forma e o movimento de cada consoante,
e, com ritmos instintivos,
me vangloriava de ter inventado um verbo poético acessível,
um dia ou outro, a todos os sentidos.
Era comigo traduzi-los.
Foi primeiro um experimento.
Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível.
Fixava vertigens.
Tradução de Paulo Hecker Filho
Bem Baixinho
Rumo
Gosto dela meio velha assim mesmo
Ainda ontem eu comentei com meu amigo
Ela é meio velha mas é tão bonita!
E ele disse: puxa! é mesmo!
Ela é assim meio velha mas é tão bonita!
E é uma beleza espontânea e natural
Não tem medo de dizer
Que está amando outra vez
E não diz de qualquer jeito, não
Num momento que você está atento
Ela cochicha baixinho e tão pertinho
Que só pode ser você dessa vez
E essa nação é assim com todo mundo
Grandalhona, meio velha, mas uma musa e tanto
E quando você menos espera ela diz:
Estou livre outra vez!
Gosto dela meio velha assim mesmo
Ainda ontem eu comentei com meu amigo
Ela é meio velha mas é tão bonita!
E ele disse: puxa! é mesmo!
Ela é assim meio velha mas é tão bonita!
E é uma beleza espontânea e natural
Não tem medo de dizer
Que está amando outra vez
E não diz de qualquer jeito, não
Num momento que você está atento
Ela cochicha baixinho e tão pertinho
Que só pode ser você dessa vez
E essa nação é assim com todo mundo
Grandalhona, meio velha, mas uma musa e tanto
E quando você menos espera ela diz:
Estou livre outra vez!
Se Eu Te Dissesse (Mas Não Posso Falar)
Amotinados
Se eu te dissesse
Meias verdades
Palavras doces
Se eu te dissesse
Palavras doces
Te fariam feliz?
Mas eu não posso falar
Me arrisco a ficar só
Ela não quer que eu diga
Mas eu não posso falar
Cortaram minha língua
Eles não querem que eu diga
Que eu diga!
Mas eu não posso falar
Se eu te dissesse
Meias verdades
Palavras doces
Se eu te dissesse
Palavras doces
Te fariam feliz?
Mas eu não posso falar
Me arrisco a ficar só
Ela não quer que eu diga
Mas eu não posso falar
Cortaram minha língua
Eles não querem que eu diga
Que eu diga!
Mas eu não posso falar
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Anti-Char
João Cabral de Melo Neto
Poesia intransitiva,
sem mira e pontaria:
sua luta com a língua acaba
dizendo que a língua diz nada.
É uma luta fantasma,
vazia, contra nada;
não diz a coisa, diz vazio;
nem diz coisas, é balbucio.
Poesia intransitiva,
sem mira e pontaria:
sua luta com a língua acaba
dizendo que a língua diz nada.
É uma luta fantasma,
vazia, contra nada;
não diz a coisa, diz vazio;
nem diz coisas, é balbucio.
O Ciclone de Théophile
Ademir Demarchi
O ciclone embora Théophile lhe seja surdo
Também ameaça-me os camafeus
Assim mesmo porém o amo
Terrificante e belo a espiralar-me o peito
Em sua sina de profícuo signo
Lar agradável, oásis da pira arte
A anular todas as coisas vis
Apesar das quais a palavra arde
O ciclone embora Théophile lhe seja surdo
Também ameaça-me os camafeus
Assim mesmo porém o amo
Terrificante e belo a espiralar-me o peito
Em sua sina de profícuo signo
Lar agradável, oásis da pira arte
A anular todas as coisas vis
Apesar das quais a palavra arde
Ai De Mim Copacabana
Torquato Neto
Ai de mim Copacabana
Um dia depois do outro
numa casa abandonada
numa avenida
pelas três da madrugada
num barco sem vela aberta
nem mar
nem mar sem rumo certo
longe de ti
ou bem perto
é indiferente, meu bem
Um dia depois do outro
ao teu lado ou sem ninguém
no mês que vem
neste país que me engana
ai de mim, Copacabana
ai de mim: quero
voar no concorde
tomar o vento de assalto
uma viagem num salto
(você olha nos meus olhos
e não vê nada -
é assim mesmo
que eu quero ser olhado).
Um dia depois do outro
talvez no ano passado
é indiferente
minha vida tua vida
meu sonho desesperado
nossos filhos nosso fusca
nossa butique na augusta
o Ford Galaxie, o medo
de não ter um Ford galaxie
o táxi, o bonde a rua
meu amor, é indiferente
Minha mãe, teu pai a lua
nesse país que me engana
ai de mim, Copacabana
ai de mim, Copacabana
ai de mim, Copacabana
ai de mim.
Musicada por Caetano Veloso
Ai de mim Copacabana
Um dia depois do outro
numa casa abandonada
numa avenida
pelas três da madrugada
num barco sem vela aberta
nem mar
nem mar sem rumo certo
longe de ti
ou bem perto
é indiferente, meu bem
Um dia depois do outro
ao teu lado ou sem ninguém
no mês que vem
neste país que me engana
ai de mim, Copacabana
ai de mim: quero
voar no concorde
tomar o vento de assalto
uma viagem num salto
(você olha nos meus olhos
e não vê nada -
é assim mesmo
que eu quero ser olhado).
Um dia depois do outro
talvez no ano passado
é indiferente
minha vida tua vida
meu sonho desesperado
nossos filhos nosso fusca
nossa butique na augusta
o Ford Galaxie, o medo
de não ter um Ford galaxie
o táxi, o bonde a rua
meu amor, é indiferente
Minha mãe, teu pai a lua
nesse país que me engana
ai de mim, Copacabana
ai de mim, Copacabana
ai de mim, Copacabana
ai de mim.
Musicada por Caetano Veloso
Essa Noite Não
Lobão
A cidade enlouquece em sonhos tortos
Na verdade nada é o que parece ser
As pessoas enlouquecem calmamente
Viciosamente, sem prazer
Na verdade nada é o que parece ser
As pessoas enlouquecem calmamente
Viciosamente, sem prazer
A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
As cortinas transparentes não revelam
O que é solitude, o que é solidão
Um desejo violento bate sem querer
Pânico, vertigem, obsessão
O que é solitude, o que é solidão
Um desejo violento bate sem querer
Pânico, vertigem, obsessão
A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
Tá sozinha, tá sem onda, tá com medo
Seus fantasmas, seu enredo, sem destino
Toda noite uma imagem diferente
Consciente, inconsciente, desatino
Seus fantasmas, seu enredo, sem destino
Toda noite uma imagem diferente
Consciente, inconsciente, desatino
A maior expressão da angústia
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
Pode ser a depressão
Algo que você pressente
Indefinível
Mas não tente se matar
Pelo menos essa noite não
Mulher Nova, Bonita e Carinhosa
Zé Ramalho
Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Por Helena, a mulher de Menelau
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Fundador da famosa
Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população Tebana
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor
Condutores
fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes
A bravura dos grandes navegantes
Enfrentando a procela em seu furor
Se não fosse a mulher mimosa flor
A história seria mentirosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor
Bandoleiro das
selvas nordestinas
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Sem temer a perigo nem ruínas
Foi o rei do cangaço no sertão
Mas um dia sentiu no coração
O feitiço atrativo do amor
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa
Mulher nova, bonita e carinhosa
Coisa Que Não Se Esquece
Caetano Veloso
Mexendo no meu passado
Aperto em minhas mãos
Velhas cartas já marcadas
Pelo tempo antigas fotograficas
Quase já sem cor
Em um momento de saudade
Nessa lagrima de amor
são coisas que não se esquece
Só finge quem desconhece
Não dá pra esconder verdades
Sobre o que ficou
São coisas que não se esquece
E mesmo que eu quisesse
As fotos não negam os fatos
Do que se passou
com tantas lembranças suas
Tenho que viver
E até quando eu não quero
Lembro de você
Momentos inesquecíveis
Nosso amor deixou
No mais intimos de nós
Essa história que ficou
São coisas...que se passou
Aperto em minhas mãos
Velhas cartas já marcadas
Pelo tempo antigas fotograficas
Quase já sem cor
Em um momento de saudade
Nessa lagrima de amor
são coisas que não se esquece
Só finge quem desconhece
Não dá pra esconder verdades
Sobre o que ficou
São coisas que não se esquece
E mesmo que eu quisesse
As fotos não negam os fatos
Do que se passou
com tantas lembranças suas
Tenho que viver
E até quando eu não quero
Lembro de você
Momentos inesquecíveis
Nosso amor deixou
No mais intimos de nós
Essa história que ficou
São coisas...que se passou
Mundo Vazio
Maysa
Volto ao meu mundo vazio
Mesmo não querendo voltar
Sei que lá você não estará
Nem voltará, infelizmente não
Mesmo não querendo voltar
Sei que lá você não estará
Nem voltará, infelizmente não
Ainda ouço o seu adeus
A ecoar nos sonhos meus
Enquanto ainda chamo você
Voce não ouve nem me vê
A ecoar nos sonhos meus
Enquanto ainda chamo você
Voce não ouve nem me vê
Perdi a fé e me perdi
Nem sei porque estou aqui
Se a esperança como eu
Nesse meu mundo se perdeu
Nem sei porque estou aqui
Se a esperança como eu
Nesse meu mundo se perdeu
Perdi a fé e me perdi
Nem sei porque estou aqui
Se a esperança como eu
Nesse meu mundo se perdeu
Nem sei porque estou aqui
Se a esperança como eu
Nesse meu mundo se perdeu
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