Poesias Escondidas


Uma pequena demonstração do amor pela nossa língua e nosso idioma, mesmo quando a poesia ou a letra de música for de autoria de um estrangeiro, sendo ou não radicado no Brasil, só serão publicadas as traduções ( caso o idioma não seja a língua portuguesa )...

sábado, 27 de outubro de 2012

A Distância


Erasmo Carlos

Nunca mais você ouviu falar de mim
Mas eu continuei a ter você
Em toda esta saudade que ficou
Tanto tempo já passou e eu não te esqueci

Quantas vezes eu pensei voltar
E dizer que o meu amor nada mudou
Mas o meu silêncio foi maior
E na distância morro todo dia sem você saber

O que restou do nosso amor ficou
No tempo esquecido por você
Vivendo do que fomos ainda estou
Tanta coisa já mudou, só eu não te esqueci

Quantas vezes eu pensei voltar
E dizer que o meu amor nada mudou
Mas o meu silêncio foi maior
E na distância morro todo dia sem você saber

Eu só queria lhe dizer que eu
Tentei deixar de amar não consegui
Se alguma vez você pensar em mim
Não se esqueça de lembrar que eu nunca te esqueci

Quantas vezes eu pensei voltar
E dizer que o meu amor nada mudou
Mas o meu silêncio foi maior
E na distância morro todo dia sem você saber

Quantas vezes eu pensei voltar
E dizer que o meu amor nada mudou
Mas o meu silêncio foi maior
E na distância morro todo dia sem você saber

Coração (Samba Anatômico)


Noel Rosa

Coração
Grande órgão propulsor
Transformador do sangue venoso em arterial
Coração
Não és sentimental
Mas entretanto dizem
Que és o cofre da paixão
Coração
Não estás do lado esquerdo
Nem tampouco do direito
Ficas no centro do peito - eis a verdade!
Tu és pro bem-estar do nosso sangue
O que a casa de correção
É para o bem da humanidade

Coração
De sambista brasileiro
Quando bate no pulmão
Lembra a batida do pandeiro
Eu afirmo
Sem nenhuma pretensão
Que a paixão faz dor no crânio
Mas não ataca o coração

Conheci
Um sujeito convencido
Com mania de grandeza
E instinto de nobreza
Que, por saber
Que o sangue azul é nobre
Gastou todo o seu cobre
Sem pensar no seu futuro
Não achando
Quem lhe arrancasse as veias
Onde corre o sangue impuro
Viajou a procurar
De norte a sul
Alguém que conseguisse
Encher-lhe as veias
Com azul de metileno
Pra ficar com sangue azul

Alma


Dani Black

Alma,
deixa eu ver sua alma
A epiderme da alma,
superfície.

Alma,
deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma,da minha mão,
superfície

Easy,
fique bem easy, fique sem nem razão
Da superfície
livre
Fique sim, livre
Fique bem com razão ou não, aterrise

Alma,
isso do medo se acalma
Isso de sede se aplaca
Todo pesar
não existe
Alma,
como um reflexo na água
Sobre a última camada
Que fica na superfície,
crise
Já acabou, livre
Já passou, o meu temor do seu medo
Sem motivo, riso...de manhã, riso de neném
A água já molhou a superfície

Alma,
daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma
sobrevive

Abra a sua válvula agora
A sua cápsula alma
Flutua na
superfície lisa, que me alisa, seu suor
O sal que sai do sol, da superfície
Simples, devagar, simples,
bem de leve a alma ja pousou, na superfície

domingo, 14 de outubro de 2012

Aprenda A Gostar De Você!


Mário Quintana

Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente,
a gostar de quem também gosta de você...
A idade vai chegando e, com o passar do tempo,
nossas prioridades na vida vão mudando...
A vida profissional, a monografia de final de curso,
as contas a pagar...
Mas uma coisa parece estar sempre presente...
A busca pela felicidade, com o amor da sua vida.

Desde pequenas ficamos nos perguntando
"quando será que vai chegar?"
E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na
dúvida "será que é ele?".
Como diz meu pai: "nessa idade tudo é definitivo",
pelo menos a gente sempre achava que era.
Cada namorado era o novo homem da sua vida.
Fazíamos planos, escolhíamos o nome dos filhos,
o lugar da lua-de-mel e, de repente...
PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia,
fazendo criar mais expectativas a respeito "do próximo".

Você percebe que cair na guerra
quando se termina um namoro é muito natural,
mas que já não dura mais de três meses.
Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva.
Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido,
inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar
o resto da noite.

Você procura por alguém que cuide de você quando está doente,
que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo
aniversário da sua avó, que jogue "imagem e ação"
e se divirta como uma criança,
que sorria de felicidade quando te olha,
mesmo quando você está de short,camiseta e chinelo.

A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação,
já não tem o mesmo valor que tinha antes.
A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas, mas
continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal,
que nos complete, e vice-versa.

Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta...
E haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da
cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira.
Sem falar na diversidade, que vai do Forró ao Beatles.
Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas,
rir até doer barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente
e curtir o som...
Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz
com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama),
e que não quer nada com você,
definitivamente não é o homem da sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e
 principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
O segredo é não correr atrás das borboletas...
é cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar,
não quem você estava procurando,
mas quem estava procurando por você!

sábado, 13 de outubro de 2012

Momentos


Clarice Lispector

"Há momentos na vida em que sentimos tanto
  a falta de alguém que o que mais queremos
  é tirar esta pessoa de nossos sonhos
  e abraçá-la.

  Sonhe com aquilo que você quiser.
  Seja o que você quer ser,
  porque você possui apenas uma vida
  e nela só se tem uma chance
  de fazer aquilo que se quer.
 
  Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
  Dificuldades para fazê-la forte.
  Tristeza para fazê-la humana.
  E esperança suficiente para fazê-la feliz.
 
  As pessoas mais felizes
  não têm as melhores coisas.
  Elas sabem fazer o melhor
  das oportunidades que aparecem
  em seus caminhos.
 
  A felicidade aparece para aqueles que choram.
  Para aqueles que se machucam.
  Para aqueles que buscam e tentam sempre.
  E para aqueles que reconhecem
  a importância das pessoas que passam por suas vidas.
 
  O futuro mais brilhante
  é baseado num passado intensamente vivido.
  Você só terá sucesso na vida
  quando perdoar os erros
  e as decepções do passado.
 
  A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
  duram uma eternidade.
  A vida não é de se brincar
  porque um belo dia se morre."

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Andar Com Fé


Gilberto Gil

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá...(4x)

Que a fé tá na mulher
A fé tá na cobra coral
Oh! Oh!
Num pedaço de pão...

A fé tá na maré
Na lâmina de um punhal
Oh! Oh!
Na luz, na escuridão...

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olêlê!
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá!...

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Oh Minina!
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá...

A fé tá na manhã
A fé tá no anoitecer
Oh! Oh!
No calor do verão...

A fé tá viva e sã
A fé também tá prá morrer
Oh! Oh!
Triste na solidão...

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Oh Minina!
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá...

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá!
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá...

Certo ou errado até
A fé vai onde quer que eu vá
Oh! Oh!
A pé ou de avião...

Mesmo a quem não tem fé
A fé costuma acompanhar
Oh! Oh!
Pelo sim, pelo não...

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olêlê!
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Olálá!...

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá
Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá...

Olêlê, vamos lá!

Andá com fé eu vou
Que a fé não costuma faiá...(4x)

domingo, 9 de setembro de 2012

Lágrimas Negras


Jorge Mautner

Na frente do cortejo
O meu beijo
Forte como o aço
Meu abraço
São poços de petróleo
A luz negra dos seus olhos
Lágrimas negras caem, saem, dóem

Por entre flores e estrelas
Você usa uma delas como brinco
Pendurada na orelha
Astronauta da saudade
Com a boca toda vermelha
Lágrimas negras caem, saem, dóem
São como pedras de moinhos
Que moem, roem, moem
E você baby vai, vem, vai
E você baby vem, vai, vem

Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras caem, saem, doem

Vá Cuidar Da Sua Vida!


Itamar Assumpção

Vá cuidar da sua vida
Diz o dito popular
Quem cuida da vida alheia
Da sua não pode cuidar

Crioulo cantando samba
Era coisa feia
Esse é negro é vagabundo
Joga ele na cadeia
Hoje o branco tá no samba
Quero ver como é que fica
Todo mundo bate palma
Quando ele toca cuíca

Vá cuidar...

Negro jogando pernada
Negro jogando rasteira
Todo mundo condenava
Uma simples brincadeira
E o negro deixou de tudo
Acreditou na besteira
Hoje só tem gente branca
Na escola de capoeira

Vá cuidar...

Negro falava de umbanda
Branco ficava cabreiro
Fica longe desse negro
Esse negro é feiticeiro
Hoje o preto vai à missa
E chega sempre primeiro
O branco vai pra macumba
Já é Babá de terreiro

Vá cuidar...

Eclipse Em Meia Lua


Arrigo Barnabé

Certo dia houve uma noite
De total e profunda escuridão
Numa gruta da floresta
O pavor tinha um som de berimbau
Joelson tocava
Tremia e não calava
Chamando a morte pro seu chão
Xamã de seu próprio medo
Só sabia que tinha que viver
Se o combate era o segredo
Mataria esse medo de morrer
A lua fugida
Levou a luz da vida
Capoeira na escuridão
Só um olho clareava
No estalo da pedra com o facão
E o negro soluçava
Enfrentando o escuro do clarão
O corte no dedo
Levou embora o medo
Tornando toda noite azul

sábado, 1 de setembro de 2012

Trampolim

José Miguel Wisnik

Põe os pés no chão e toca o ar Trampolim
Bate no tambor de onde vens
Só de ser quem és inventa o amor
Só de ser quem és inventa o amor
Sem dizer palavra

Pobre coração mergulhador, ai de mim
Beira de que mar eu ancorei
Se for pedir perdão, já perdoei
Se for pedir perdão, já perdoei
Pode se alegrar

Põe os pés no chão e toca o ar Trampolim

Insônia


Líria Porto

A boca escancarada da noite
os urros do silêncio
as teclas mudas

não tilintam os cristais
não estilhaçam a vidraça
os amantes não sussurram
não há sinos de igreja
o mundo acabou
o relógio dorme
o tempo não passa

onde estão os latidos
os galos os gritos
os olhos do sol?

na cama imensa
o corpo exausto
o vazio da tua ausência
e os mil anos dessa noite
que me engole
que me vomita.

A Poesia do Perdão


Daniel S. Leite

De todas as grandes virtudes,
que fazem a vida valer a pena
faz o débil vencer as vicissitudes,
enobrece a alma na paz serena;
está a virtude divina do perdão,
que apaga da memória a ofensa
mantém aberta a porta do coração
faz renascer a amizade intensa.
Perdoar para ser perdoado,
essa é a lei, a divina exigência.
Doce ventura de quem foi humilhado.
Virtude do amor em evidência.
Não há poesia na vingança,
não há saúde no ódio.
Na decisão do perdão a esperança.
Na indecisão do coração o opróbrio.
Perdoar para amar é a regra da bravura.
O verdadeiro herói dessa vida obscura.
Amar para perdoar, essa é a premissa.
A bem-aventurança. A eterna conquista.
Guardar rancor, ira ou mágoa,
excluir do coração a pessoa amada.
Se fechar para antigos amigos,
é se condenar a eternos perigos.
O amor nos faz cativos do perdão.
E o perdão faz festivo o coração.
Aumenta e faz os anos de vida,
ser uma eterna primavera florida.
O perdão nos faz fecundos.
Habilita a alma destemida.
Renova a vida em segundos,
santifica na eterna partida.
Amigo, vida é tão passageira e fugaz,
como a sombra que se desfaz.
Aqui e agora, tens a oportunidade de se doar,
Amigos e inimigos aprender a amar.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Minha Namorada

Vinícius de Morais

Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo de morrer
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de que
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você

Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Queixas Noturnas

Augusto dos Anjos

Quem foi que viu a minha Dor chorando?!
Saio. Minh'alma sai agoniada.
Andam monstros sombrios pela estrada
E pela estrada, entre estes monstros, ando!

Não trago sobre a túnica fingida
As insígnias medonhas do infeliz
Como os falsos mendigos de Paris
Na atra rua de Santa Margarida.

O quadro de aflições que me consomem
O próprio Pedro Américo não pinta...
Para pintá-lo, era preciso a tinta
Feita de todos os tormentos do homem!

Como um ladrão sentado numa ponte
Espera alguém, armado de arcabuz.
Na ânsia incoercível de roubar a luz.
Estou à espera de que o Sol desponte!

Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a Alegria é uma doença
E a Tristeza é minha única saúde.

As minhas roupas, quero até rompê-las!
Quero, arrancado das prisões carnais.
Viver na luz dos astros imortais,
Abraçado com todas as estrelas!

A Noite vai crescendo apavorante
E dentro do meu peito, no combate.
A Eternidade esmagadora bate
Numa dilatação exorbitante!

E eu luto contra a universal grandeza
Na mais terrível desesperação...
É a luta, é o prédio enorme, é a rebelião
Da criatura contra a natureza!

Parai essas lutas, uma vida é pouca
Inda mesmo que os músculos se esforcem,
Os pobres braços do imortal se torcem
E o sangue jorra, em coalhos, pela boca.

E muitas vezes a agonia é tanta
Que, rolando dos últimos degraus,
O Hércules treme e vai tombar no caos
De onde seu corpo nunca mais levanta!

E natural que esse Hércules se estorça,
E tombe para sempre nessas lutas,
Estrangulado pelas rodas brutas
Do mecanismo que tiver mais força.

Ah! Por todos os séculos vindouros
Há de travar-se essa batalha vã
Do dia de hoje contra o de amanhã,
Igual à luta dos cristãos e mouros!

Sobre histórias de amor o interrogar-me
E vão, é inútil, é improfícuo, em suma;
Não sou capaz de amar mulher alguma
Nem há mulher talvez capaz de amar-me.

O amor tem favos e tem caldos quentes
E ao mesmo tempo que faz bem, faz mal;
O coração do Poeta é um hospital
Onde morreram todos os doentes.

Hoje é amargo tudo quanto eu gosto;
A bênção matutina que recebo...
E é tudo: o pão que como, a água que bebo,
O velho tamarindo a que me encosto!

Vou enterrar agora a harpa boêmia
Na atra e assombrosa solidão feroz
Onde não cheguem o eco duma voz
E o grito desvairado da blasfêmia!

Que dentro de minh'alma americana
Não mais palpite o coração — esta arca,
Este relógio trágico que marca
Todos os atos da tragédia humana!

Seja esta minha queixa derradeira
Cantada sobre o túmulo de Orfeu;
Seja este, enfim, o último canto meu
Por esta grande noite brasileira!

Melancolia! Estende-me a tua asa!
És a árvore em que devo reclinar-me...
Se algum dia o Prazer vier procurar-me
Diz a este monstro que eu fugi de casa!

A Obsessão Do Sangue

Augusto dos Anjos

Acordou, vendo sangue... — Horrível! O osso
Frontal em fogo... Ia talvez morrer,
Disse. olhou-se no espelho. Era tão moço,
Ah! certamente não podia ser!

Levantou-se. E eis que viu, antes do almoço,
Na mão dos açougueiros, a escorrer
Fita rubra de sangue muito grosso,
A carne que ele havia de comer!

No inferno da visão alucinada,
Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,
Viu vísceras vermelhas pelo chão ...

E amou, com um berro bárbaro de gozo,
o monocromatismo monstruoso
Daquela universal vermelhidão!

Bailarina

Jessyswan

Anjo sem asas
dançando suavemente
linda bailarina
gira contente.

Se equilibra na sapatilha
milagre ou esforço??
linda bailarina
mexe o corpo.

Voando literalmente
com sua roupa delicada
somente uma bailarina
que não pensava em nada.

Anjo caído,
por que estás chorando?
não é nada
só estou dançando.

Pássaro humano ou anjo caído
ciência ou religião?
linda bailarina
pula saindo do chão.

Asas nos pés
força de vontade
linda bailarina
traz a felicidade.

(só uma prévia,não tinha nada pra fazer)