Poesias Escondidas


Uma pequena demonstração do amor pela nossa língua e nosso idioma, mesmo quando a poesia ou a letra de música for de autoria de um estrangeiro, sendo ou não radicado no Brasil, só serão publicadas as traduções ( caso o idioma não seja a língua portuguesa )...

domingo, 27 de junho de 2010

A Canção da Saudade

Olegário Mariano

Que tarde imensa e fria!
Lá fora o vento rodopia...
Dança de folhas... Folhas, sonhos vãos,
que passam, nesta dança transitória,
deixando em nós, no fundo da memória,
o olhar de uns olhos e a carícia de umas mãos.
Ante a moldura de um retrato antigo,
põe-se a gente a evocar coisas emocionais.
Tolda-se o olhar, o lábio treme, a alma se aperta,
tudo deserto... a vide em torno tão deserta
que vontade nos vem de sofrer mais!
Depois, há sempre um cofre e desse cofre
tiramos velhas cartas, devagar...
É a volúpia inervante de quem sofre:
ler velhas cartas e depois chorar.
Que tarde imensa e fria!
Nunca mais te verei... Nunca mais me verás...
Lá fora o vento rodopia...
Que desejo me vem de sofrer mais!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Eu Te Amo Calado

Lulu Santos

Não existiria som se não houvesse o silêncio
Não haveria luz se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim

Cada voz que canta o amor não diz tudo o que quer dizer
Tudo que cala fala mais alto ao coração
Silenciosamente
Eu te falo com paixão

Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer

A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim

Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer
(E digo)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Árvore Da Amizade

Daya Bastos

A amizade é como uma semente...

Se a lançar-mos em um chão árido e cheio de pedras,
ela secará e perderá a vida...

Agora se a lançarmos em um chão fértil, ela vingará,
e neste local nascerá uma linda árvore!!!

Mas lembre-se:
Muitas vezes a lançamos em uma boa terra,
mas por falta de zelo e cuidados, ela acaba secando e morrendo...

Por isso, cuide bem de sua árvore da amizade...

Afinal,
uma pessoa sem amigos,
acaba se entregando e caindo em muitas das barreiras que a vida nos impõe...

Já aquele que possui lindas árvores da amizade,
pode até cair em uma destas barreiras,
porém sempre terá alguém para lhe dar a mão e ampará-lo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Tamanho Das Pessoas

William Shakespeare

Variam conforme o grau de envolvimento...

Uma pessoa é enorme para você,
quando fala do que leu e viveu,
quando trata você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e sorri destravado.

Uma pessoa é pequena para você,
quando só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento
em que teria que demonstrar o que
há de mais importante entre duas pessoas:
- A amizade,
- O respeito,
- O carinho,
- O zelo,
- E até mesmo o amor.

Uma pessoa é gigante para você,
quando se interessa pela sua vida, q
uando busca alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto com você.
E pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa,
quando compreende,
quando se coloca no lugar do outro,
quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa
reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar
grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento,
pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho
de um AMOR que parecia ser grande.

Uma ausência pode aumentar o tamanho
de um AMOR que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade:
as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,
mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão,
e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso,
nem os músculos que tornam uma pessoa grande...

...é a sua sensibilidade, sem tamanho...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Bom Sonho

Vange Leonel

Um bom sonho pra você
Que você se divirta pra valer
Que você nas ondas
Possa perceber o mar
O mar a nos banhar
O mar a introceder
Que você no sonho possa então
Se convencer
Que tem que acontecer
Um bom sonho pra você
Que você se divirta pra valer
Que você no sonho
Possa sempre imaginar
E mesmo a trabalhar
Consiga imaginar
Que você no sonho
Sonhe mesmo sem querer
Sem ter que acontecer
Um bom sonho pra você
Que você se divirta pra valer

Tudo Diferente

André Carvalho

Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, né
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, né
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
(2x)
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Você passa, eu paro
Você faz, eu falo
Mas a gente no quarto sente o gosto bom que o oposto tem
Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo
Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar, viu
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta

O Poeta Do Estácio

Celso Fonseca / Ronaldo Bastos

Quem não gosta de samba
Diz que o samba acabou
Mas quem nasce no Estácio
Sabe que ele é o senhor
Quem vem lá da Bahia
E não tem samba no pé
Ajoelha e não reza
Recita o terço se fé
Um cara que desdenha um grande amor
Ele zomba do samba,prova e não sente o sabor
Mas tem hora que um cara vai aprender dar valor
Pede a benção ao Samba
E proteção ao Melô
É na roda de bamba
Que se aprende a cair
Tem o Elton Medeiros
Que não me deixa mentir
Quem não gosta de samba
Diz que o samba acabou
O Poeta do Estácio
Sabe que ele é o senhor
Um cara que desdenha um grande amor
Ele zomba do samba,prova e não sente o sabor
Mas tem hora que um cara dá valor
Pede a benção ao Samba
E proteção ao Melô

Sempre Brilhará

Celso Blues Boy

Por dentro eu sei
Que nunca senti
Nada além de amor
Em tudo o que vivi
Estou deixando o céu
Rumo ao inferno
Só, sem você
Mas não há nada a fazer
As coisas são assim
Prá que se lamentar
Se dentro de nós
Sempre existirá
Sempre existirá
Toda esperança
Sempre brilhará
Do outro lado da noite
Aonde você está
Espantarei mil demônios
Não hesitarei
Andarei na escuridão
Dessa guerra sem fim

O Quereres

Caetano Veloso

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

Águas De Março

Tom Jobim

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

She's Carioca

Tom Jobim

Ela é carioca, she's a carioca
Just see the way she walks
Nobody else can be what she is to me
I look and what do I see
When I look deep in her eyes
I can see the sea
A forgoten road
The caressing skies
And not only that, I'm in love with her
The most exciting way
It's written on my lips
Where her kisses stay
She smiles and all of a sudden
The world is smiling for me
And you know what else
She's a carioca
Ela é carioca
Ela é carioca, ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguem tem carinho assim para dar
Eu vejo na luz dos seus olhos
As noites do rio ao luar
Vejo a mesma luz
Vejo o mesmo ceu
Vejo o mesmo mar
And not only that, I'm in love with her
The most exciting way
It's written on my lips
Where her kisses stay
She smiles and all of a sudden
The world is smiling for me
And you know what else
She's a carioca
Ela é carioca

Alma De Pierrot

Celso Fonseca / Ronaldo Bastos

Alma de Pierrot
Quem me vê assim
Não vê a tristeza marcando a cadência
Com seu tamborim
Mais do que ninguém
Implorei a Deus
Que a alegria vestisse meus dias
Com seu Arlequim
Eu me preparava prá ver a Mangueira passar
Estação Primeira, foi lá que eu fiz meu lugar
Vindo com a minha escola a sorte sorriu afinal
Encontrei meu grande amor no Carnaval
Dessa vez não é
Chuva de verão
Chega a Quarta-Feira, renasce das cinzas
Só pensa em sambar
E foi só por causa do amor
Que na minha vida faz sol
Apontou saída prá quem não sabia
Viver sem chorar
Eu me preparava prá ver a Mangueira passar
Estação Primeira, foi lá que eu fiz meu lugar
Vindo com a minha escola a sorte sorriu afinal
Encontrei meu grande amor no Carnaval
Encontrei meu grande amor no Carnaval

terça-feira, 23 de março de 2010

Fim Dos Tempos

Ataíde Lemos

Falar de fim dos tempos
Numa geração onde a ciência
Está acima do espiritual
É ser considerado anormal.

Falar de fim dos tempos
Numa geração que se acha
Detentora da verdade
É estar foram da realidade.

Falar de fim dos tempos
Mesmo diante os acontecimentos
É ser considerado fanático;
O homem tudo pode explicar.

Falar de fim dos tempos
Mesmo assistindo o que foi escrito
Terremotos, ódio espalhados
Como louco é ser avaliado.

A ciência tudo pode justificar
Mas ela não pode explicar
A profecia que um dia fora feita
Do que se vem ocorrendo.

Um dia Jesus veio ao mundo
E, dos que o anunciaram, muitos
Não o reconheceram como o prometido
Num madeiro fora erguido.

Quem tem olhos que vejam
Quem tem ouvidos que ouçam
Aproveite enquanto há tempo
Converta-se não perca o momento.

domingo, 21 de março de 2010

A Lucidez Perigosa

Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

A Vida É Uma Vitrina...

Graciette Salmon

A Vida é uma vitrina de tecidos.
A gente, por instantes,
fica de olhos perdidos
na beleza das telas deslumbrantes.
Depois, entra na loja e vai comprar.
Caixeirinha gentil, a Ilusão
vem vender ao balcão
e não se cansa de mostrar,
não se cansa
de exibir delicados,
rendilhados,
leves panos de Sonho e de Esperança.
As mãos tocam de leve
na leveza das telas.
Não vá o gesto, por mais breve,
esgarçar uma delas!
Todas tão lindas! Mas a que fascina
não está ali na grande confusão
das peças espalhadas no balcão.
E a gente diz,
num ar feliz:
"Levo daquela rósea, muito fina,
exposta na vitrina."
Logo o Destino vem (da loja é o dono)
e fala sobranceiro, com entono:
"É artigo raro.
Marca, padrão e cor: - Felicidade.
É um artigo de alta qualidade
o mais caro
de todos os tecidos.
São cortes especiais...e estão vendidos!"
...................................................................
E a gente vai comprar do áspero pano
que se encontra na seção do Desengano.

(O Que Ficou Do Sonho)

Caderno De Poesias

Clarice Pacheco

Caderno de poesias
é um belo lugar.
Tantas coisas lindas
que eu gostaria de falar.
Eu falo em formas de versos
para todos poderem escutar.
Agora você já sabe
porque tantos poetas
passam o dia escrevendo em seus cadernos de poesias.