Poesias Escondidas


Uma pequena demonstração do amor pela nossa língua e nosso idioma, mesmo quando a poesia ou a letra de música for de autoria de um estrangeiro, sendo ou não radicado no Brasil, só serão publicadas as traduções ( caso o idioma não seja a língua portuguesa )...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Acrilic On Canvas

Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha / Marcelo Bonfá

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são

Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição

Às vezes é difícil esquecer:
"Sinto muito, ela não mora mais aqui"
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito"
E "não-te-esqueças-de-mim".

domingo, 13 de julho de 2008

Janelas Abertas

Jô Oliveira

Linda feito papela crepon
belle de jour!
arriscar a pele negra de ninguém
arriscar a garganta na guilhotina dela
ela entra e cai de boca em tudo
acredita e faz-se forte cada vez mais
liga e marca encontro
no outro morro alguém parado na sala
ah! esse concentrado cheiro port salut...

Quinta-feira, 22:30 horas

(A primavera virá dentro de 30 dias!)
lembra alguém um rosto feminino
enrugado manto diáfano
toalhas do tempo na janela
sob a luz do sol ela
- od time charcoal mellowed - Tennenssee
na língua-crepon escreve teu nome
santafúriadapaixão
lilás.

sábado, 12 de julho de 2008

Plenilúnio

Augusto dos Anjos

Desmaia o plenilúnio. A gaze pálida
Que lhe serve de alvíssimo sudário
Respira essências raras, toda a cálida
Mística essência desse alampadário.

E a lua é como um pálido sacrário,
Onde as almas das virgens em crisálida
De seios alvos e de fronte pálida,
Derramam a urna dum perfume vário.

Voga a lua na etérea imensidade!
Ela, eterna noctâmbula do Amor,
Eu, noctâmbulo da Dor e da Saudade.

Ah! como a branca e merencórea lua,
Também envolta num sudário — a Dor,
Minh'alma triste pelos céus flutua.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Bom Sujeito


Arrigo Barnabé


Eu digo o que sinto

no fundo do peito

não meço palavras

sou sem preconceito

eu falo sincero

com todo respeito

direto na cara

sem jogo ou efeito

eu gosto de sexo já fiz video tape

sou fã 100%

na vida e na tela o amor se revela

por fora e por dentro

eu penso o que penso

e acho direito

não transo mentiras

eu sou bom sujeito.

Chavão Abre Porta Grande

Itamar Assumpção

Não adianta vir arreganhando os dentes para mim
Porque sei que isso não é um sorriso

Penso logo existo, penso que existo
Penso que penso, penso que penso

Canto logo existo, canto enquanto isso
Canto o quanto posso, enquanto posso

Entre o sim e o não existe um vão
Entre o sim e o não existe um vão

Entre o sim e o não existe um vão
Entre o sim e o não existe um vão

Você já portou luvas no porta-luvas?

Lembre-se
Quem não vive tem medo da morte
Quem não vive tem medo da morte
Quem não vive tem medo da morte

Lembre-se
Chavão abre porta grande
Chavão abre porta grande
Chavão abre porta grande

Não sei se gosto de mim
Não sei se gosto de você
Mas gosto de nós
Non so se me amo
Non so se ti amo
Pero amo a noi due

O real é a rocha que o poeta lapida
Doando à humanidade mal agradecida
Poeta, talvez seja melhor
Afinar o coro dos descontentes.

De repente
O amor de sempre não era mais suficiente
O amor de sempre de repente não era mais suficiente

Je ne sais si je me plait
Je ne sais si tu me plait
Mais nous deux me plait

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Suspeito

Arrigo Barnabé & Hermelino Neder

Você tem medo de fazer amor comigo
Você tem medo de acordar com um bandido
E ver no espelho escrito com batom:
- Tchau trouxa, foi bom!
Você não sabe de onde eu tiro o meu dinheiro
Você não sabe o que eu faço o dia inteiro
E esse mistério destrói a nossa paz
Ah, não posso mais
Não me pergunte nada, me deixe apenas vendo
Seu corpo lindo vindo para mim
E não se esconda tanto pois o seu corpo chama
Um outro corpo solto sobre o seu que eu bem sei
É o meu
Você suspeita que eu não seja um bom sujeito
E não entrega seu amor a um suspeito
Mas mesmo tentando jamais conseguirá
Não me desejar

Vou Tirar Do Dicionário A Palavra Você

Itamar Assumpção

Eu vou tirar do dicionário
A palavra você
Vou trocá-la em miúdos
Vou mudar meu vocabulário
e no seu lugar
vou colocar outro absurdo
Vou tirar suas impressões digitais
da minha pele
Tirar seu cheiro
dos meus leçóis
O seu rosto do meu gosto
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
assim que descobrir
com quantos "nãos" se faz um "sim".

Eu vou tirar o sentimento
do meu pensamento
sua imagem e semelhança
Vou parar o movimento
a qualquer momento
Procurar outra lembrança

Vou tirar, limar de vez sua voz
dos meus ouvidos
eu vou tirar você e eu de nós
o dito pelo não dito
Eu vou tirar você de letra
nem que tenha que inventar
outra gramática
Eu vou tirar você de mim
assim que descobrir
com quantos "nãos" se faz um "sim".

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Que É O Que É

Gonzaguinha

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...

Mas e a vida
Ela é maravida
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...

Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota é um tempo
Que nem dá um segundo...

Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...

Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida e viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der ou puder ou quiser...

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

Tetê Tentei

Itamar Assumpção

Tetê tentei fazer um bolero
Tentei moda de viola
Tentei desvendar mistérios
Tentei dominar a bola
Tentei um tango pra solo
Dupla trio quarteto de trompas
Varei mil noites a fio
Tentei imitar a ema
Tentei em vão criar clima
Tentei nó em pingo d’água
Tentei música latina
Tentei musicar um drama
Tentei inventar poemas
Tentei música urbana
Tentei mais do que imaginas
Tentei centenas de temas
Tentei fugir da rotina
Tentei Sampa e Ipanema
Tentei desdobrar esquinas
Tentei a mais linda cena
Tentei fugir do esquema
Depois disso só me restou
Estar aqui tentando mímicas

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Canto Da Onipotência

Augusto dos Anjos

Cloto, Átropos, Tifon, Laquesis, Siva...
E acima deles, como um astro, a arder,
Na hiperculminação definitiva
O meu supremo e extraordinário Ser!
Em minha sobre-humana retentiva

Brilhavam, como a luz do amanhecer,

A perfeição virtual tornada viva

E o embrião do que podia acontecer!

Por antecipação divinatória,

Eu, projetado muito além da História,

Sentia dos fenômenos o fim...

A coisa em si movia-se aos meus brados

E os acontecimentos subjugados

Olhavam como escravos para mim!