Affonso Romano de Sant'Anna
Não amo
melhor
nem pior
do que ninguém.
Do meu jeito amo.
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.
Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.
Poesias Escondidas
domingo, 9 de fevereiro de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Ocorrência
Ferreira Goulart
Aí o homem sério entrou e disse: bom dia.
Aí outro homem sério respondeu: bom dia.
Aí a mulher séria respondeu: bom dia.
Aí a menininha no chão respondeu: bom dia.
Aí todos riram de uma vez
Menos as duas cadeiras, a mesa, o jarro, as flores
as paredes, o relógio, a lâmpada, o retrato, os livros
o mata-borrão, os sapatos, as gravatas, as camisas, os lenços.
Aí o homem sério entrou e disse: bom dia.
Aí outro homem sério respondeu: bom dia.
Aí a mulher séria respondeu: bom dia.
Aí a menininha no chão respondeu: bom dia.
Aí todos riram de uma vez
Menos as duas cadeiras, a mesa, o jarro, as flores
as paredes, o relógio, a lâmpada, o retrato, os livros
o mata-borrão, os sapatos, as gravatas, as camisas, os lenços.
Poesia
Poesia
Augusto de Campos
"Recriar é a meta
de um tipo especial
de tradução:
a tradução-arte
mas para chegar à
re-criação
é preciso identificar-se
profundamente
com o texto origina
e ao mesmo tempo
não barateá-lo
enfrentar todas as suas
dificuldades
tentar reconstituir
a criação
a partir de cada palavra
som por som
tom por tom
é uma questão de forma
mas também
é uma questão de alma"
Augusto de Campos
"Recriar é a meta
de um tipo especial
de tradução:
a tradução-arte
mas para chegar à
re-criação
é preciso identificar-se
profundamente
com o texto origina
e ao mesmo tempo
não barateá-lo
enfrentar todas as suas
dificuldades
tentar reconstituir
a criação
a partir de cada palavra
som por som
tom por tom
é uma questão de forma
mas também
é uma questão de alma"
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Número Da Paixão
Chacal
Na corda bamba quero ser teu contrapeso
no número das facas assoviar nos teus ouvidos
no globo da morte quero ser teu copiloto
no vai e vem do trapézio quero ser quem te segura.
Quero te acompanhar pelas ruas do rio sorrindo ou chorando
quero me molhar todinho só pra te deixar sequinha nesse temporal
quero te abraçar apaixonado sentir teu coração pulsar
quero te beijar do oiapoque ao chuí, bem te vi.
Porque eu sei que teus cabelos são tempestades que me alucinam
que despencarei cada vez que subir nos teus andaimes
que me esfaquearei transtornado com suas sutis insinuações sobre o tempo.
Que me transmutarei em nêspera cada vez que me disseres:
hasta luego, luz del fuego
que vagarei sem esperanças quando não mais fizeres parte
dos meus próximos capítulos
que capitularei enfim, com a cabeça espatifada nos escombros
do meu próprio coração
Na corda bamba quero ser teu contrapeso
no número das facas assoviar nos teus ouvidos
no globo da morte quero ser teu copiloto
no vai e vem do trapézio quero ser quem te segura.
Quero te acompanhar pelas ruas do rio sorrindo ou chorando
quero me molhar todinho só pra te deixar sequinha nesse temporal
quero te abraçar apaixonado sentir teu coração pulsar
quero te beijar do oiapoque ao chuí, bem te vi.
Porque eu sei que teus cabelos são tempestades que me alucinam
que despencarei cada vez que subir nos teus andaimes
que me esfaquearei transtornado com suas sutis insinuações sobre o tempo.
Que me transmutarei em nêspera cada vez que me disseres:
hasta luego, luz del fuego
que vagarei sem esperanças quando não mais fizeres parte
dos meus próximos capítulos
que capitularei enfim, com a cabeça espatifada nos escombros
do meu próprio coração
Canção
Ginsberg
O peso do mundo é o amor.
Sob o fardo da solidão,
sob o fardo da insatisfação
o peso
o peso que carregamos é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca o corpo,
em pensamentos constrói
um milagre, na imaginação
aflige-se até tornar-se
humano -
sai para fora do coração ardendo de pureza -
pois o fardo da vida é o amor,
mas nós carregamos o peso cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor finalmente
temos que descansar nos braços do amor.
Nenhum descanso sem amor,
nenhum sono sem sonhos
de amor - quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos ou por máquinas,
o último desejo é o amor
- não pode ser amargo não pode ser negado
não pode ser contigo quando negado:
o peso é demasiado - deve dar-se
sem nada de volta assim como o pensamento
é dado na solidão
em toda a excelência do seu excesso.
Os corpos quentes brilham juntos
na escuridão, a mão se move
para o centro da carne,
a pele treme na felicidade
e a alma sobe feliz até o olho -
sim, sim, é isso que
eu queria, eu sempre quis,
eu sempre quis voltar
ao corpo em que nasci.
O peso do mundo é o amor.
Sob o fardo da solidão,
sob o fardo da insatisfação
o peso
o peso que carregamos é o amor.
Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca o corpo,
em pensamentos constrói
um milagre, na imaginação
aflige-se até tornar-se
humano -
sai para fora do coração ardendo de pureza -
pois o fardo da vida é o amor,
mas nós carregamos o peso cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor finalmente
temos que descansar nos braços do amor.
Nenhum descanso sem amor,
nenhum sono sem sonhos
de amor - quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos ou por máquinas,
o último desejo é o amor
- não pode ser amargo não pode ser negado
não pode ser contigo quando negado:
o peso é demasiado - deve dar-se
sem nada de volta assim como o pensamento
é dado na solidão
em toda a excelência do seu excesso.
Os corpos quentes brilham juntos
na escuridão, a mão se move
para o centro da carne,
a pele treme na felicidade
e a alma sobe feliz até o olho -
sim, sim, é isso que
eu queria, eu sempre quis,
eu sempre quis voltar
ao corpo em que nasci.
Uivo
Ginsberg
para Carl Solomon
Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura,
morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada
em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,
"hipsters" com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial
com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,
que pobres, esfarrapados e olheiras fundas,
viajaram fumando sentados
na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos
sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades
contemplando jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado
e viram anjos maometanos cambaleando
iluminados nos telhados das casas de cômodos,
que passaram por universidades com os olhos frios e radiantes
alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake
entre os estudiosos da guerra,que foram expulsos das universidades
por serem loucos e publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes
de pintura descascada em roupa de baixo
queimando seu dinheiro em cestas de papel,
escutando o Terror através da parede,
que foram detidos em suas barbas públicas voltando por Laredo
com um cinturão de marijuana para Nova York,
que comeram fogo em hotéis mal-pintados
ou beberam terebentina em Paradise Alley,
morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite
com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília,
álcool e caralhos e intermináveis orgias,
incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula
e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá & Paterson,
iluminando completamente o mundo imóvel do Tempo intermediário,
solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de quintal
com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos telhados,
fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de neon
do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer,
vibrações de sol e lua e árvore
no ronco de crepúsculo de inverno de Brooklin,
declamações entre latas de lixo e a suave soberana luz da mente,
que se acorrentaram aos vagões do metrô
para o infindável percurso do Battery
ao sagrado Bronx de benzedrina
até que o barulho das rodas e crianças
os trouxesse de volta,
trêmulos, a boca arrebentada
e o despovoado deserto do cérebro esvaziado de qualquer brilho
na lúgubre luz do Zôológico,
que afundaram a noite toda na luz submarina de Bickford's,
voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca
no desolado Fugazzi's escutando o matraquear da catástrofe
na vitrola automática de hidrogênio,
que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê
ao bar ao hospital Bellevue
ao Museu à Ponte de Brooklin,
batalhão perdido de debatedores platônicos saltando
dos gradis das escadas de emergência
dos parapeitos das janelas do Empire State da lua,
tagarelando, berrando, vomitando, sussurando
fatos e lembranças e anedotas
e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras,
intelectos inteiros regurgitados em recordação total
com os olhos brilhando por sete dias e noites,
carne para a sinagoga jogada na rua,
que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum
deixando um rastro de cartões postais ambíguos
do Centro Cívico de Atlantic City,
sofrendo amores orientais,
pulverizações tangerianas nos ossos enxaquecas da China
por causa da falta da droga no quarto
pobremente mobiliado de Newark,
que deram voltas e voltas à meia-noite
no pátio da estação férroviária
perguntando-se onde ir e foram,
sem deixar corações partidos,
que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de carga,
vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve
até solitárias fazendas dentro da noite do avô,
que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz,
telepatia e bop-cabala
pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus pés em Kansas,
que passaram solitários pelas ruas de Idaho
procurando anjosíndios e visionários,
que só acharam que estavam loucos quando Baltimore apareceu
em êxtase sobrenatural,
que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma
no impulso da chuva de inverno
na luz da rua da cidade pequena à meia-noite,
que vaguearam famintos e sós por Houston procurando jazz
ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante
para conversar sobre América e Eternidade,
inútil tarefa, e assim embarcaram num navio para a África,
que desapareceram nos vulcões do México nada deixando
além da sombra das suas calças rancheiras e a lava
e a cinza da poesia espalhadas na lareira de Chicago,
que reapareceram na Costa Oeste
investigando o FBI de barba e bermudas
com grandes olhos pacifistas e sensuais
nas suas peles morenas,
distribuindo folhetos ininteligíveis,
que apagaram cigarros acesos nos seus braços protestando
contra o nevoeiro narcótico de tabaco do capitalismo,
que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Suare,
chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos
os afugentavam gemendo mais alto que eles
e gemiam pela Wall Street
e também gemia a balsa da Staten Island
que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos,
nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
que morderam policiais no pescoço
e berraram de prazer nos carros de presos
por não terem cometido outro crime
a não ser sua transação pederástica e tóxica,
que uivaram de joelhos no Metrô
e foram arrancados do telhado sacudindo genitais e manuscritos,
que se deixaram foder no rabo por motociclistas santificados
e urraram de prazer, que enrabaram e foram enrabados
por estes serafins humanos,
os marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano,
que transaram pela manhã e ao cair da tarde em roseirais,
na grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livre-
mente seu sêmem para quem quisesse vir,
que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar
mas acabaram choramingando atrás de um tabique de banho turco
onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada,
que perderam seus garotos amados para as tres megeras do destino,
a megera caolha do dólar heterossexual,
a megera caolha que pisca de dentro do ventre
e a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda
retalhando os dourados fios do tear do artesão,
que copularam em êxtase insaciável com uma garrafa de cerveja,
uma namorada, um maço de cigarros,
uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor
e terminaram desmaiando contra a paerede
com uma visão da buceta final
e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência,
que adoçaram trepadas de um milhão de garotas trêmulas ao anoitecer,
acordaram de olhos vermelhos no dia seguinte
mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora,
bundas luminosas nos celeiros e nus no lago,
que foram transar em Colorado numa miríade de carros roubados
à noite, N.C. herói secreto destes poemas,
garanhão e Adonis de Denver - prazer ao lembrar de suas incontáveis trepadas
com garotas em terrenos baldios
e pátios dos fundos de restaurantes de beira de estrada
raquíticas fileiras de poltronas de cinema,
picos de montanha, cavernas
ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias
solitário á beira da estrada & especialmente secretos solipsismos
de mictórios de postos de gasolina
& becos da cidade
natal também,
que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram transportados
em sonho, acordaram num Manhattan súbito e conseguiram voltar
com uma impiedosa ressaca de adegas de Tokay
e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Avenida
& cambalearam até as agências de emprego,
que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue
pelo cais coberto por montões de neve, esperando que
se abrisse uma porta no East River dando num quarto
cheio de vapor e ópio,
que criaram grandes dramas suicidas
nos penhascos de apartamentos de Hudson
à luz de holofote anti-aéreo da lua &
suas cabeças receberão coroa de louro no esquecimento,(...)
para Carl Solomon
Eu vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura,
morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada
em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,
"hipsters" com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial
com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,
que pobres, esfarrapados e olheiras fundas,
viajaram fumando sentados
na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos
sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades
contemplando jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado
e viram anjos maometanos cambaleando
iluminados nos telhados das casas de cômodos,
que passaram por universidades com os olhos frios e radiantes
alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake
entre os estudiosos da guerra,que foram expulsos das universidades
por serem loucos e publicarem odes obscenas nas janelas do crânio,
que se refugiaram em quartos de paredes
de pintura descascada em roupa de baixo
queimando seu dinheiro em cestas de papel,
escutando o Terror através da parede,
que foram detidos em suas barbas públicas voltando por Laredo
com um cinturão de marijuana para Nova York,
que comeram fogo em hotéis mal-pintados
ou beberam terebentina em Paradise Alley,
morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite
com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília,
álcool e caralhos e intermináveis orgias,
incomparáveis ruas cegas sem saída de nuvem trêmula
e clarão na mente pulando nos postes dos pólos de Canadá & Paterson,
iluminando completamente o mundo imóvel do Tempo intermediário,
solidez de Peiote dos corredores, aurora de fundo de quintal
com verdes árvores de cemitério, porre de vinho nos telhados,
fachadas de lojas de subúrbio na luz cintilante de neon
do tráfego na corrida de cabeça feita do prazer,
vibrações de sol e lua e árvore
no ronco de crepúsculo de inverno de Brooklin,
declamações entre latas de lixo e a suave soberana luz da mente,
que se acorrentaram aos vagões do metrô
para o infindável percurso do Battery
ao sagrado Bronx de benzedrina
até que o barulho das rodas e crianças
os trouxesse de volta,
trêmulos, a boca arrebentada
e o despovoado deserto do cérebro esvaziado de qualquer brilho
na lúgubre luz do Zôológico,
que afundaram a noite toda na luz submarina de Bickford's,
voltaram à tona e passaram a tarde de cerveja choca
no desolado Fugazzi's escutando o matraquear da catástrofe
na vitrola automática de hidrogênio,
que falaram setenta e duas horas sem parar do parque ao apê
ao bar ao hospital Bellevue
ao Museu à Ponte de Brooklin,
batalhão perdido de debatedores platônicos saltando
dos gradis das escadas de emergência
dos parapeitos das janelas do Empire State da lua,
tagarelando, berrando, vomitando, sussurando
fatos e lembranças e anedotas
e viagens visuais e choques nos hospitais e prisões e guerras,
intelectos inteiros regurgitados em recordação total
com os olhos brilhando por sete dias e noites,
carne para a sinagoga jogada na rua,
que desapareceram no Zen de Nova Jersey de lugar algum
deixando um rastro de cartões postais ambíguos
do Centro Cívico de Atlantic City,
sofrendo amores orientais,
pulverizações tangerianas nos ossos enxaquecas da China
por causa da falta da droga no quarto
pobremente mobiliado de Newark,
que deram voltas e voltas à meia-noite
no pátio da estação férroviária
perguntando-se onde ir e foram,
sem deixar corações partidos,
que acenderam cigarros em vagões de carga, vagões de carga,
vagões de carga que rumavam ruidosamente pela neve
até solitárias fazendas dentro da noite do avô,
que estudaram Plotino, Poe, São João da Cruz,
telepatia e bop-cabala
pois o Cosmos instintivamente vibrava a seus pés em Kansas,
que passaram solitários pelas ruas de Idaho
procurando anjosíndios e visionários,
que só acharam que estavam loucos quando Baltimore apareceu
em êxtase sobrenatural,
que pularam em limusines com o chinês de Oklahoma
no impulso da chuva de inverno
na luz da rua da cidade pequena à meia-noite,
que vaguearam famintos e sós por Houston procurando jazz
ou sexo ou rango e seguiram o espanhol brilhante
para conversar sobre América e Eternidade,
inútil tarefa, e assim embarcaram num navio para a África,
que desapareceram nos vulcões do México nada deixando
além da sombra das suas calças rancheiras e a lava
e a cinza da poesia espalhadas na lareira de Chicago,
que reapareceram na Costa Oeste
investigando o FBI de barba e bermudas
com grandes olhos pacifistas e sensuais
nas suas peles morenas,
distribuindo folhetos ininteligíveis,
que apagaram cigarros acesos nos seus braços protestando
contra o nevoeiro narcótico de tabaco do capitalismo,
que distribuíram panfletos supercomunistas em Union Suare,
chorando e despindo-se enquanto as sirenes de Los Alamos
os afugentavam gemendo mais alto que eles
e gemiam pela Wall Street
e também gemia a balsa da Staten Island
que caíram em prantos em brancos ginásios desportivos,
nus e trêmulos diante da maquinaria de outros esqueletos,
que morderam policiais no pescoço
e berraram de prazer nos carros de presos
por não terem cometido outro crime
a não ser sua transação pederástica e tóxica,
que uivaram de joelhos no Metrô
e foram arrancados do telhado sacudindo genitais e manuscritos,
que se deixaram foder no rabo por motociclistas santificados
e urraram de prazer, que enrabaram e foram enrabados
por estes serafins humanos,
os marinheiros, carícias de amor atlântico e caribeano,
que transaram pela manhã e ao cair da tarde em roseirais,
na grama de jardins públicos e cemitérios, espalhando livre-
mente seu sêmem para quem quisesse vir,
que soluçaram interminavelmente tentando gargalhar
mas acabaram choramingando atrás de um tabique de banho turco
onde o anjo loiro e nu veio atravessá-los com sua espada,
que perderam seus garotos amados para as tres megeras do destino,
a megera caolha do dólar heterossexual,
a megera caolha que pisca de dentro do ventre
e a megera caolha que só sabe ficar plantada sobre sua bunda
retalhando os dourados fios do tear do artesão,
que copularam em êxtase insaciável com uma garrafa de cerveja,
uma namorada, um maço de cigarros,
uma vela, e caíram da cama e continuaram pelo assoalho e pelo corredor
e terminaram desmaiando contra a paerede
com uma visão da buceta final
e acabaram sufocando um derradeiro lampejo de consciência,
que adoçaram trepadas de um milhão de garotas trêmulas ao anoitecer,
acordaram de olhos vermelhos no dia seguinte
mesmo assim prontos para adoçar trepadas na aurora,
bundas luminosas nos celeiros e nus no lago,
que foram transar em Colorado numa miríade de carros roubados
à noite, N.C. herói secreto destes poemas,
garanhão e Adonis de Denver - prazer ao lembrar de suas incontáveis trepadas
com garotas em terrenos baldios
e pátios dos fundos de restaurantes de beira de estrada
raquíticas fileiras de poltronas de cinema,
picos de montanha, cavernas
ou com esquálidas garçonetes no familiar levantar de saias
solitário á beira da estrada & especialmente secretos solipsismos
de mictórios de postos de gasolina
& becos da cidade
natal também,
que se apagaram em longos filmes sórdidos, foram transportados
em sonho, acordaram num Manhattan súbito e conseguiram voltar
com uma impiedosa ressaca de adegas de Tokay
e o horror dos sonhos de ferro da Terceira Avenida
& cambalearam até as agências de emprego,
que caminharam a noite toda com os sapatos cheios de sangue
pelo cais coberto por montões de neve, esperando que
se abrisse uma porta no East River dando num quarto
cheio de vapor e ópio,
que criaram grandes dramas suicidas
nos penhascos de apartamentos de Hudson
à luz de holofote anti-aéreo da lua &
suas cabeças receberão coroa de louro no esquecimento,(...)
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Bonequinha
Luiz Ayrão
Bonequinha linda
Que Deus me mandou
Me faz um carinho
E diz que eu sou seu amor
Me faz um carinho
E diz que eu sou seu amor
Eu era um barco errante
Sem rumo a navegar
Você é a estrela brilhante
Que veio pra me guiar
Bonequinha meu xodó
Tem tem tem de mim tem dó
Me abraça e nunca me deixe só
Bonequinha linda
Que Deus me mandou
Me faz um carinho
E diz que eu sou seu amor
Me faz um carinho
E diz que eu sou seu amor
Eu era um barco errante
Sem rumo a navegar
Você é a estrela brilhante
Que veio pra me guiar
Bonequinha meu xodó
Tem tem tem de mim tem dó
Me abraça e nunca me deixe só
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Baião D Quatro Toques
LuizTatit
Quando bater no coração
Quatro pancadas e depois um bis
Pode escrever não falha não
É a tentação de ser muito feliz
Por isso é bom esse baião de quatro toques
Carregadinho de premonição
Ele não deixa que a batida se desloque
E que se afaste do seu coração
Pra quem compôs, pra quem tocou
e pra quem ouve
É o destino que sempre se quis
É uma quinta sinfonia de Beethoven
Que decantou e só ficou a raiz
Dá pra sentir
A exatidão
No tiquetaque do seu coração
Dá pra entender
Que esse baião
De quatro toques
Tanto tentou
Tanto tentou
Que se tornou
A tentação desse país
De ser assim feliz
Quando bater no coração
Quatro pancadas e depois um bis
Pode escrever não falha não
É a tentação de ser muito feliz
Por isso é bom esse baião de quatro toques
Carregadinho de premonição
Ele não deixa que a batida se desloque
E que se afaste do seu coração
Pra quem compôs, pra quem tocou
e pra quem ouve
É o destino que sempre se quis
É uma quinta sinfonia de Beethoven
Que decantou e só ficou a raiz
Dá pra sentir
A exatidão
No tiquetaque do seu coração
Dá pra entender
Que esse baião
De quatro toques
Tanto tentou
Tanto tentou
Que se tornou
A tentação desse país
De ser assim feliz
domingo, 26 de janeiro de 2014
Todas Juntas Num Só Ser
Lenine
Não canto mais Babete nem Domingas,
nem Xica nem Tereza, de Ben Jor;
nem Drão nem Flora,do baiano Gil,
nem Ana nem Luiza, do maior;
já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara de Chico;
nem Yoko, a nipônica de Lennon,
nem a cabocla de Tinoco e de Tonico.
Nem a tigresa nem a Vera Gata
nem a branquinha de Caetano;
nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science,
nenhuma continua nos meus planos;
nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;
nem Anna Júlia do Los Hermanos.
Só você,
hoje eu canto só você;
só você
que eu quero porque quero,por querer.
Não canto de Melô Pérola Negra,
de Brown e Herbert, nem uma brasileira;
De Ari,nem a baiana nem Maria,
nem a Iaiá também, nem minha faceira;
de Dorival ,nem Dora nem Marina
nem a morena de Itapoã;
divina garota de Ipanema,
nem Iracema, de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
de Michael Jackson, nem a Billie Jean;
de Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
nem Ângela nem Lígia ,de Jobim;
nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
das doze deusas de Edu e Chico;
até das trinta Leilas de Donato
e da Layla, de Clapton, eu abdico.
Só você,
canto e toco só você;
só você,
que nem você ninguém mais pode haver.
Nem a namoradinha de um amigo
e nem a amada amante de Roberto;
e nem Michelle-me-belle,do beattle Paul,
nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg
nem de Totó, na malafemmená,
nem a Iaiá de Zeca Pagodinho,
nem a mulata mulatinha de Lalá;
e nem a carioca de Vinícius
e nem a tropicana de Alceu
e nem a escurinha de Geraldo
e nem a pastorinha de Noel
e nem a namorada de Carlinhos
e nem a superstar do Tremendão
e nem a malaguenha de Lecuona
e nem a popozuda do Tigrão.
Só você,
hoje elejo e elogio só você;
só você,
que nem você não há nem quem nem quê.
De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
de Mário Lago e Ataulfo Alves,
não canto nem Emília nem Amélia,
nenhuma tem meus ''vivas'' e meus ''salves''!
E nem Angie, do stone Mick Jagger;
e nem Roxanne, de Sting, do Police;
e nem a mina do mamona Dinho
e nem as mina ? pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê, Loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha,
Laura de Daniel, o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro Rei, o do Baião;
nenhuma delas hoje cantarei,
só outra reina no meu coração:
Só você,
rainha aqui é só você; só você,
a musa dentre as musas de A a Z.
Se um dia me surgisse uma moça
dessas que, com seus dotes e seus dons,
inspira parte dos compositores
na arte das palavras e dos sons,
tal como Madallene, de Jacques Brel
ou como Madalena, de Martinho
ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry
ou a manequim do tímido Paulinho
ou como, de Caymmi, a moça prosa
e a musa inspiradora Doralice;
se me surgisse uma moça dessas,
confesso que eu talvez não resistisse;
mas, veja bem, meu bem, minha querida,
isso seria só por uma vez.
Uma vez só em toda a minha vida,
ou talvez duas, mas não mais que três!
Só você,
mais que tudo é só você;
só você,
as coisas mais queridas você é:
Você pra mim é o sol da minha noite,
é como a rosa luz de Pixinguinha;
é como a estrela pura aparecida,
a estrela a refulgir do Poetinha;
você, ó floré como a nuvem calma
no céu da alma de Luiz Vieira;
você é como a luz do sol da vida
de Stevie Wonder,ó minha parceira.
Você é pra mim o meu amor
crescendo como mato em campos vastos;
mais que a Gatinha pra Erasmo Carlos,
mais que a cigana pra Ronaldo Bastos,
mais que a divina dama pra Cartola,
que a domna pra Ventadorn,Bernart;
que a Honey Baby para Waly Salomão
e a Funny Valentine para Lorenz Hart!
Só você, só você
mais que tudo e todas, é só você;
só você
que é todas elas juntas num só ser!
Nem Tudo É Fácil
Cecília Meireles
É difícil fazer alguém feliz,
assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo,
assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor,
assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje,
assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom,
assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz,
assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir,
assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém,
assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão?
Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos,
Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!
Que Não Se Vê
Caetano Veloso
Uma intensa luz
que nao se vê
passapela voz
ao se calar
É a vez de uma estrela
guarda o nome dela
nosso coraçao é o seu lugar
Somos sempre sós
e ainda assim
ela brilha em nós
em ti, em mim
nem bruta nem bela
o silêncio é tê-la
a voz dessa luz, sem fim, sem fim
Come tu mi vuoi. Saró, Saró
Quello che tu vuoi. Faró, faró
Non ti lascieró mai
Ma non ti ameró mai
questo tu lo sai, sí lo sai
Uma intensa luz que nao se vê
passa pela voz ao se calar
Uma intensa luz
que nao se vê
passapela voz
ao se calar
É a vez de uma estrela
guarda o nome dela
nosso coraçao é o seu lugar
Somos sempre sós
e ainda assim
ela brilha em nós
em ti, em mim
nem bruta nem bela
o silêncio é tê-la
a voz dessa luz, sem fim, sem fim
Come tu mi vuoi. Saró, Saró
Quello che tu vuoi. Faró, faró
Non ti lascieró mai
Ma non ti ameró mai
questo tu lo sai, sí lo sai
Uma intensa luz que nao se vê
passa pela voz ao se calar
sábado, 25 de janeiro de 2014
Soneto Do Teu Corpo
Paulinho Moska
Juro beijar teu corpo sem descanso
Como quem sái sem rumo pra viagem
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem
Quero inventar a estrada enquanto avanço
Beijo teus pés
Me perco entre teus dedos
Luzes ao norte
Pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos
Como em teus bosques
Bebo nos teus rios
Entre teus montes
Vales escondidos
Faço fogueira
Choro, canto e danço
Línguas de Lua
Varrem tua nuca
Línguas de Sol
Percorrem tuas ruas
Eu juro beijar teu corpo sem descanso
Eu juro
Juro beijar, eu juro
Juro beijar teu corpo sem descanso
Como quem sái sem rumo pra viagem
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem
Quero inventar a estrada enquanto avanço
Beijo teus pés
Me perco entre teus dedos
Luzes ao norte
Pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos
Como em teus bosques
Bebo nos teus rios
Entre teus montes
Vales escondidos
Faço fogueira
Choro, canto e danço
Línguas de Lua
Varrem tua nuca
Línguas de Sol
Percorrem tuas ruas
Eu juro beijar teu corpo sem descanso
Eu juro
Juro beijar, eu juro
O Bicho
Manuel Bandeira
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Somente Nela
Paulinho Moska
Estar apaixonado é uma coisa louca
Que alguém lhe causa e você mal dorme
Se perto desse alguém a eternidade é pouca
Distante, cada instante é um tempo enorme
Estar apaixonado é mesmo uma doença
Que alguém lhe causa e você mal come
Tão só nessa pessoa você pensa
Enquanto a outra a fome o consome
Tava tremendo, com febre, com frio
A estremecer de amor por causa dela
Corria em minha espinha um arrepio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Eu ria e chorava um rio
Mas nunca uma dor foi tão bela
Por dias, noites e horas a fio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Estar apaixonado é parecer um ser ridículo
E não estar, com isso, nem aí
Você se sente solto e livre mesmo num cubículo
Tal como eu me sentia bem ali
Tava tremendo, com febre, com frio
A estremecer de amor por causa dela
Corria em minha espinha um arrepio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Eu ria e chorava um rio
Mas nunca uma dor foi tão bela
Por dias, noites e horas a fio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Tava tremendo, com febre, com frio
A estremecer de amor por causa dela
Corria em minha espinha um arrepio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Eu ria e chorava um rio
Mas nunca uma dor foi tão bela
Por dias, noites e horas a fio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Estar apaixonado é uma coisa louca
Que alguém lhe causa e você mal dorme
Se perto desse alguém a eternidade é pouca
Distante, cada instante é um tempo enorme
Estar apaixonado é mesmo uma doença
Que alguém lhe causa e você mal come
Tão só nessa pessoa você pensa
Enquanto a outra a fome o consome
Tava tremendo, com febre, com frio
A estremecer de amor por causa dela
Corria em minha espinha um arrepio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Eu ria e chorava um rio
Mas nunca uma dor foi tão bela
Por dias, noites e horas a fio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Estar apaixonado é parecer um ser ridículo
E não estar, com isso, nem aí
Você se sente solto e livre mesmo num cubículo
Tal como eu me sentia bem ali
Tava tremendo, com febre, com frio
A estremecer de amor por causa dela
Corria em minha espinha um arrepio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Eu ria e chorava um rio
Mas nunca uma dor foi tão bela
Por dias, noites e horas a fio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Tava tremendo, com febre, com frio
A estremecer de amor por causa dela
Corria em minha espinha um arrepio
Eu nem pensava em mim, somente nela
Eu ria e chorava um rio
Mas nunca uma dor foi tão bela
Por dias, noites e horas a fio
Eu nem pensava em mim, somente nela
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Mais Feliz
Adriana Calcanhotto
O nosso amor não vai parar de rolar
De fugir e seguir como um rio
Como uma pedra que divide o rio
Me diga coisas bonitas
O nosso amor não vai olhar para trás
Desencantar, nem ser tema de livro
A vida inteira eu quis um verso simples
Pra transformar o que eu digo
Rimas fáceis, calafrios
Fura o dedo, faz um pacto comigo
Num segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz !!
O nosso amor não vai parar de rolar
De fugir e seguir como um rio
Como uma pedra que divide o rio
Me diga coisas bonitas
O nosso amor não vai olhar para trás
Desencantar, nem ser tema de livro
A vida inteira eu quis um verso simples
Pra transformar o que eu digo
Rimas fáceis, calafrios
Fura o dedo, faz um pacto comigo
Num segundo teu no meu
Por um segundo mais feliz !!
sábado, 20 de julho de 2013
Quem É Cover de Quem
Itamar Assumpção
Nasceste no Rio Estácio, eu em São Paulo Tietê
Os nossos passos com passos afirmam ter tudo a ver
não só na tonalidade e também no jeitão de ser
circula pela cidade, circula pela cidade
que sou cover de você!
Tu és pérola negra já desde setenta e dois
Eu inventei Beleleú só oito anos depois
Além deste pela preta, coisa comum em nós dois
Idéias músicas letras, idéias músicas letras
não são só feijão com arroz!
Dizem formamos de fato um belo par de malditos
Te chamam de Negro Gato, me tratam de Nego Dito
e já que talento é inato, isto já estava escrito
num mundo cheio de chatos, num mundo cheio de chatos...
(e bota chato nisso!)
nós somos São Beneditos!
No mais sambamos de tudo
funk soul blues jazz rock and roll
trocamos tudo em miúdos gravamos num disc show
paixão amor sobretudo aquele que começou
mais grave ou mais agudo,
mais grave ou mais agudo
slow speed or speed slow!
Só falta agora contar o que que houve outro dia
assim que entrei num bar desses de periferia
alguém começou gritar jurou que me conhecia
mas no lugar de Itamar, mas no lugar de Itamar...
disparou Luiz Melodia!
E é por essas e outras que somos contemporâneos
tu abres eu fecho a boca já há mais de vinte anos
então baby não se assuste
então baby não se assuste
Pérola negra eu te amo!
Nasceste no Rio Estácio, eu em São Paulo Tietê
Os nossos passos com passos afirmam ter tudo a ver
não só na tonalidade e também no jeitão de ser
circula pela cidade, circula pela cidade
que sou cover de você!
Tu és pérola negra já desde setenta e dois
Eu inventei Beleleú só oito anos depois
Além deste pela preta, coisa comum em nós dois
Idéias músicas letras, idéias músicas letras
não são só feijão com arroz!
Dizem formamos de fato um belo par de malditos
Te chamam de Negro Gato, me tratam de Nego Dito
e já que talento é inato, isto já estava escrito
num mundo cheio de chatos, num mundo cheio de chatos...
(e bota chato nisso!)
nós somos São Beneditos!
No mais sambamos de tudo
funk soul blues jazz rock and roll
trocamos tudo em miúdos gravamos num disc show
paixão amor sobretudo aquele que começou
mais grave ou mais agudo,
mais grave ou mais agudo
slow speed or speed slow!
Só falta agora contar o que que houve outro dia
assim que entrei num bar desses de periferia
alguém começou gritar jurou que me conhecia
mas no lugar de Itamar, mas no lugar de Itamar...
disparou Luiz Melodia!
E é por essas e outras que somos contemporâneos
tu abres eu fecho a boca já há mais de vinte anos
então baby não se assuste
então baby não se assuste
Pérola negra eu te amo!
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