Poesias Escondidas


Uma pequena demonstração do amor pela nossa língua e nosso idioma, mesmo quando a poesia ou a letra de música for de autoria de um estrangeiro, sendo ou não radicado no Brasil, só serão publicadas as traduções ( caso o idioma não seja a língua portuguesa )...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Obsessão Meu Amor

Jorge Ben Jor

Estou pensando em fazer
Uma doce canção como você
Como você, meu sonho aflito
Meu fruto proibido
Como você, meu anjo colorido
Meu tesouro escondido
Como você, onde vai você
O que faz você, como vai você
Diga pra mim, meu amor
Diga pra mim, por favor
Apesar de saber
Que você tem sempre admiradores
Em volta de você
Eu acho que continua sendo
Um prazer incentivante pra mim
De ouvir, de olhar, de sentir, de gostar
De querer você
Pois você continua sendo a razão
Da minha obsessão por você
Por você, onde vai você
O que faz você, como vai você
Bababubabuba
Meu amor, meu amor
Meu amor, meu amor
O que bate fica

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quanto Vale A Liberdade ?

Redson

Quanto vale a liberdade?
Pra vocês ela tem um preço
Quanto vale a confiança?
Não quero esperar
Não acredito no seu dinheiro

Onde está o seu caráter
Deve estar perdido em algum beco
Horas você enlouquece
E depois quer fugir
Se refugia como um animal, como um animal

Dia após dia eu procuro ir em frente
Vê se me entende, não há razão, não há razão
Já não pode mais pensar
Olhe para tudo como está
Agora eu sei que não há preço
Mas me sinto acorrentado

Dia após dia, e não há razão, não há razão
Quanto vale a liberdade?
Quanto vale a liberdade?
Não importa, eu vou em frente
Não importa, eu vou em frente, não!

Porque Nós ?

Marcelo Janeci / Luiz Tatit

Éramos célebres líricos
Éramos sãos
Lúcidos céticos
Cínicos não
Músicos práticos
Só de canção
Nada didáticos
Nem na intenção
Tímidos típicos
Sem solução
Davam-nos rótulos
Todos em vão
Éramos únicos
Na geração
Éramos nós dessa vez

Tínhamos dúvidas clássicas
Muita aflição
Críticas lógicas
Ácidas não
Pérolas ótimas
Cartas na mão
Eram recados
Pra toda a nação
Éramos súditos
Da rebelião
Símbolos plácidos
Cândidos não
Ídolos mínimos
Múltipla ação

Sempre tem gente pra chamar de nós
Sejam milhares, centenas ou dois
Ficam no tempo os torneios da voz
Não foi só ontem, é hoje e depois
São momentos lá dentro de nós
São outros ventos que vêm do pulmão
Ganham cores na altura da voz
E os que viverem verão

Fomos serenos num mundo veloz
Nunca entendemos então por que nós
Só mais ou menos

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Imaginário

Eduardo Gudin

O que eu mais quero
É encontrar na minha estrada
Minha alma abandonada
onde abandonei
Quando deixei
de ser um sonhador
Trovador
Cedo amor
Meu corpo então
ficou vazio
E caminha por aí
Vai por onde for
Passos de um zumbi
sem cor
Um livro aberto
Uma história sertaneja
Onde a estrada vira mata
Vôo de azulão
Então dei asa
à imaginação
Distraí
Viajei
E minha alma
estava ali
Só querendo me encontrar
Página de dor
onde o escritor
chorou
Se é verdade
não faz mal
História surreal
Quem quiser
que conte outra
ao som do temporal.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Meu Coração Não quer Viver Batendo Devagar

Isabela Taviani

Foi assim que me viu numa dor sem graça
Me vestiu, me despiu, me fez outro e prata
Um amor que me arrancou pela raiz e me brotou
Ahhh, me fez florir.

Foi um breve temporal, inundou meu corpo
Foi um dócil animal, lúcido e louco
Me fez ver assombração, espremeu meu coração
Ahhh, me fez canção.

Há quem diga que é o meu fim
Eu prefiro a vida assim
Há quem peça pra eu não me apressar
Mas meu coração não quer viver batendo devagar
Mas meu coração não quer viver batendo devagar.

Foi assim que me ví tonta de vontade
O amor transgrediu a invencibilidade
Golpeou suavemente, nocalteou a minha mente
Ahhh, me fez nascente.

Há que diga que é o meu fim
Eu prefiro a vida assim
Há quem peça pra eu não me apressar
Mas meu coração não quer viver batendo devagar
Mas meu coração não quer viver batendo devagar.

Me leva pro seu mundo
Teu segundo, teu escudo
Levo tudo, eu me mudo
Vou me aprisionar
vou me aprisionar.

Samba De Orly

Chico Buarque / Toquinho / Vinícius de Moraes

Vai meu irmão
Pegue esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio, mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão...
Pede perdão pela duração
Dessa temporada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pr'os da pesada
Diz que eu vou levando...
Vê como é que anda
Aquela vida à tôa
E se puder me manda
Uma notícia boa...
Vai meu irmão
Pegue esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio, mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão...
Pede perdão pela duração
Dessa temporada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pr'os da pesada
Diz que eu vou levando...
Vê como é que anda
Aquela vida à tôa
E se puder me manda
Uma notícia boa...
Vai meu irmão
Pegue esse avião
Você tem razão
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pr'os da pesada
Diz que eu vou levando...
Pede perdão pela duração
Dessa temporada
Vê como é que anda
Aquela vida à tôa
E se puder me manda
Uma notícia boa...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A Lua & Eu

Emílio Santiago

Mais um ano se passou
E nem sequer ouvi falar seu nome, a lua e eu
Caminhando pela estrada
Eu olho em volta e só vejo pegadas
Mas não são as suas, eu sei, eu sei, eu sei
O vento faz eu lembrar vo...cê
As folhas caem mortas como eu
Quando olho no espelho
Estou ficando velho e acabado
Procuro encontrar, não sei onde está você, você, você
O vento faz eu lembrar vo...cê
As folhas caem mortas como eu

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Samba Pros Poetas

Diogo Nogueira / Inácio Rios

O povo clamando pro samba não morrer
Sambista de fato não deixa esmorecer
Bate no peito com raça e dignidade
O samba vem de angola
Mexe meu peito, a mais pura verdade.

Dizem que o samba da gente já morreu
Isso é conversa fiada, o samba cresceu
E Donga dizia pelo telefone
Que o samba é a alma do povo,
Raiz verdadeira, Brasil é seu nome.

Samba de Monarco, de Ratinho
De Noel, de Padeirinho e do Silas de Oliveira
Samba de Katimba e da vila, dona Ivone, Jovelina
E também João Nogueira
Samba pros poetas de verdade
Do Paulinho da Viola e pro Nélson Cavaquinho
Olha que o Candeia foi chegando
E o Sem Braço foi versando
Devagar, no miudinho.

Como Vai Você ?

Antônio Marcos / Mário Marcos

Como vai você?
Eu preciso saber
Da sua vida,
Peça alguém pra me contar
Sobre o seu dia...
Anoiteceu
E eu preciso de saber...

Como vai você?
Que já modificou
A minha vida,
Razão da minha paz
Tão dividida,
Nem sei se eu gosto
Mais de mim ou de você...

Vem,
Que a sede de te amar
Me faz melhor
Eu quero
Amanhecer ao seu redor
Preciso tanto me fazer feliz...

Vem,
Que o tempo pode
Afastar nós dois
Não deixe tanta vida
Pra depois
Eu só preciso saber...

Como vai você?
Que já modificou
A minha vida,
Razão da minha paz
Tão dividida,
Nem sei se eu gosto
Mais de mim ou de você...

Vem,
Que a sede de te amar
Me faz melhor,
Eu quero, eu quero
Amanhecer ao seu redor,
Preciso tanto, tanto
Me fazer feliz...

Vem,
Que o tempo
Pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida
Pra depois,
Eu só preciso saber...
Como vai você...

Como vai você?
Como vai você?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Amar ( Ou Mentira De Amor )

Ary Barroso

Em teu olhar tão meigo
Em teu sorriso sedutor
Em teu porte sereno
Em teu jeitinho encantador
Eu resumi, querida
Toda felicidade
O bem da minha vida
Eis a pura verdade
Agora só espero
Merecer o teu amor
Porque teu coração
Do meu já é real senhor
E juntos pelo mundo
Havemos de viver
Sem nada que perturbe
Nosso amor, podes crer.

Amar é transformar as penas em sorriso!...
Amar é transformar o inferno em paraíso!...
O amor embala a vida quando é puro,
O amor conduz à morte se é perjuro!...
Eu quero ser feliz - serei um dia!
Eu quero ser amado - serei um dia!...
Porém, amado com toda sinceridade...
Mentira de amor, não é amor, é falsidade!...

A Flor Do Maracujá

Fagundes Varella

Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do Sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!
Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.

Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová!
Pela lança ensangüentado
Da flor do maracujá!

Por tudo que o céu revela!
Por tudo que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está!!
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá!

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em - a -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!

Poemeto Erótico

Manuel Bandeira

Teu corpo é tudo o que brilha
Teu corpo é tudo o que cheira
Rosa, flor de laranjeira

Teu corpo, claro e perfeito
Teu corpo de maravilha
Quero possuí-lo no leito estreito da redondilha

Teu corpo, branco e macio
E' como um véu de noivado.
Teu corpo é pomo doirado,
Rosal queimado de estio
Desfalecido em perfume
Teu corpo é a brasa do lume

Teu corpo é chama
E flameja como à tarde os horizontes
É puro como nas fontes a água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama, volúpia da água e da chama

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira.

A todo momento o vejo
Teu corpo, a única ilha no oceano do meu desejo."

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Valsa Azul

José Miguel Wisnik

Não sei se sonhei
Ou se embarquei
Pela loucura além

Não sei se voei
E me perdi
Se só viajei
Ou se bebi

Eu só sei que vi
No chão se abrir
Para flor do espanto meu
Um poço sem fundo
Lá no fundo do céu

Todo trabalhado em espirais
De argila escura e luz
O poço descia sob os meus pés
Mas também subia ao chaminés

Pois mirava sempre pro círculo azul
E o céu não sabia onde era o norte e o sul

Dentro dali flutuava um sonho
Valsa invísivel da minha ilusão
Fora a cidade tremia e estremecia
De sensações em multidões

Produzindo usinas, buzinas
Mas eu só queria vertigem e o vão
Dentro do espelho daquela visão
E desejava que a lua, a prória lua
Fizesse a sua aparição

Eu fiquei assim, tempo sem fim
Tonto do encanto, além
Do que vislumbrei, e nunca vi
Do que nunca achei, e estava ali
Uma luz azul que afinal entendi
E subitamente eu me lembrei de ti

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Meu Olhar Em Teus Olhos

Cassandra Rios

Meu olhar nos teus olhos
tua boca em minha boca
teus seios em minhas mãos
tuas mãos em meu rosto:
São os primeiros solfejos!
Meu rosto em teus cabelos
tua voz em meus ouvidos
meus braços em teu corpo
teu corpo colado ao meu:
vibram as cordas dos sentidos
é a sinfonia que arrebata
ao som de gemidos e palavras!
Resvalo em fuga para me esconder
entre as pilastras do teu corpo
mãos espalmadas sobre teu ventre
...e a fonte em minha voz!

Fizemos amor!
Não esqueço!
É cena parada em minha mente!

...e continuamos,
repetindo tudo:
tua boca em minha boca
minhas mãos em teus cabelos
[emaranhadas
e os nossos corações pulsando juntos.
É o êxtase!
Eis o final!
A sinfonia estertora
ao ranger de dentes e lábios que silvam
na contorção vertiginosa
do corpo infiltrando-se pela alma!

É o gozo que aniquila!
A música do amor que termina ou faz pausa para repetição!

Ante Uma Paisagem

Gilka Machado

Quando não tarda
O Sol a despontar,
pelas de inverno
lívidas manhãs,
a Natureza, ao olhar,
parece toda agasalhada
em lãs

Manhãs serenas
e cristalinas
essas, que ficam,
horas inteiras,
no afã contínuo
das rendeiras,
tecendo a renda
fluída das neblinas

Manhãs de tédio
e de preguiça,
em que até mesmo
o Sol custa a acordar,
e o corpo pede leito,
e o deseja, e o cobiça;
manhãs que não são mais
do que noites de luar

Manhãs de paina,
em que a alma se reclina
como sobre um frouxel
nivoso e largo,
e em que há no céu
e na campina
o mesmo pronunciado
e invencível letargo

Andam anjos,
por certo asas,
ruflando pelas manhãs
de brumas, porque
tombam do céu,
de quando em quando,
crespas, estéreas plumas

O inverno a Natureza
revirgina, e quando
surge o Sol,
no início do verão,
a terra tem pudores
de menina, palpitante
de amor à solar sensação

Faz-se na natureza
um lírico noivado;
flores de laranjeira
e 'níveos véus nupciais,
traja a Terra, a esperar
que o noivo amado
venha, afinal,
lhe dar o beijo
de esponsais

O verão principia,
porém, nas coisas,
inda o inverno atua;
é dia, mas no céu
que livor, que sombria
expressão,
que macios tons de Lua!

Esta linda manhã,
tão veludosa quão fria,
a desabrochar o alvo seio,
de leve, tem o mesmo
abandono, a mesma
lentidão de uma camélia
a abrir das pétalas a neve

Toda a paisagem
é muito lânguida e fria,
há neve no arvoredo,
há neve sobre a alfombra,
com asas brancas,
a Melancolia
a Natureza ensombra

Da estrada sobre
o longo e amplo
espreguiçamento
à feila fluída da garoa,
o fantasma do Tédio,
amarelo, nevoento,
anda vagando, à toa...
Plena desolação,
pleno aniquilamento,
Tédio, somente e Tédio
a erma estrava povoa

O meu olhar
nesta paisagem sente
qualquer coisa de unção,
qualquer coisa emoliente...

O céu parece todo de penas
Asas de névoa
passam lentamente...

Nas árvores,
que estão impassíveis,
serenas,
-braços abertos
para a amplitude,
- olhos postos na altura,
há uma esperança frouxa,
indecisa, indolente,
de quem, por padecer
há muito doente,
inda dúvidas põe
na próxima ventura
E dentro da manhã
dubiamente tristonha,
das árvores a atitude
é a mesma extática
atitude de quem sonha

É dia, mas a luz
não tem calor nem raios;
onde a alegria da Natureza?
A paisagem é toda
de desmaios,
de cores e de névoas
de incerteza

É dia,
mas a estrada está vazia
e nem uma ave
o espaço corta;
o verão principia
e a Terra está
como que morta

É dia,
mas o céu é bruma,
lado a lado,
e, persistindo
num amoroso disfarce,
o Sol,
nas névoas embuçado,
continua a ocultar-se

Pelas árvores que ânsia!
Como as frondes
olham tristes a distância!

Toda de branco
para o noivado,
a paisagem inda espera:
tarde a festa
nupcial da primavera
e tarda o Sol -
o noivo desejado

Num derradeiro arranco
de paixão virgem,
luminosa, imensa,
num sonho branco...
Branco...Branco...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu Só Penso Em Você

George Israel / Paula Toller

Saí de casa à procura de ilusões
Coincidências e confirmações
Alguém com seu nome, alguma lembrança
Alguma palavra, aquelas canções
O mundo assim parece tão pequeno
e eu continuo tendo visões

Depois que nos encontramos
eu esqueço todo tempo
que fiquei sem te ver
Fora tanto que eu me perco
fora tudo mais que eu penso
eu só penso em você
só penso em você

Eu só penso em você
Só penso em você
Só penso em você
Só penso...

Fiquei em casa a espera de nada
Nenhuma visita, nenhuma chamada
Ninguém com seu nome, nem sua feição
Nenhuma esperança, nenhuma canção
O mundo assim parece tão imenso
E eu continuo vivendo em vão