Poesias Escondidas


Uma pequena demonstração do amor pela nossa língua e nosso idioma, mesmo quando a poesia ou a letra de música for de autoria de um estrangeiro, sendo ou não radicado no Brasil, só serão publicadas as traduções ( caso o idioma não seja a língua portuguesa )...

sábado, 21 de agosto de 2010

Poema Em Linha Reta

Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Autopsicografia

Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Estrela Da Manhã

Manoel Bandeira

Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã
Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte

Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa? Eu quero a estrela da manhã

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras

Com os gregos e com os troianos
Com o padre e com o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois comigo

Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas
comerei terra e direi coisas de uma ternura tão simples
Que tu desfalecerás
Procurem por toda parte
Pura ou degradada até a última baixeza
eu quero a estrela da manhã.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Uns Dias

Herbert Vianna

O expresso do oriente
Rasga a noite, passa rente
E leva tanta gente
Que eu até perdi a conta
E nem te contei uma novidade, quente
Eu nem te contei
Eu tive fora uns dias
Numa onda diferente
E provei tantas frutas
Que te deixariam tonta
Eu nem te falei
Da vertigem que se sente
Eu nem te falei
Que te procurei
Pra me confessar
Eu chorava de amor
E não porque eu sofria
Mas você chegou já era dia
Eu não tava sozinha
Eu tive fora uns dias
Eu te odiei uns dias
Eu quis te matar.

Pra Você Que Chora

Edu Lobo

Pra você que chora
E sofre há tanto tempo, amor
Vou contar baixinho
Um sonho que nasce de nós dois
Um sonho lindo de nós dois
Você vai ver
Ah, você vai ver
Surgir de nós
Um rei que vai ser
Ser bem mais que nós
Ser o que não pude ser
Enxugue os olhos
Não chore mais, meu triste amor
Pois que desse abraço
É um rei que vai nascer
É um rei, que outra vida vai trazer
Você vai ver
Ah, você vai ver
Surgir de nós
Um rei que vai
Ser bem mais que nós
Ser o que não pude ser

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Rebelião Dos Sentimentos

Gilberto Brandão Marcon

Não deveria estar triste,
Mas de fato estava.
Queria não ter ansiedade,
Mas estava ansioso.

Desprezava a autopiedade,
Mas sentia-se fraco para abandoná-la.
Queria mover-se rapidamente,
Mas seus passos estavam inertes.

Tinha o ideal de muito construir,
E a realidade só fazia destruir.
Almejava a explosão de forças,
Mas deprimia-se acuado.

Poderia se entregar ao medo,
Mas se enchia de coragem agressiva.
Caído, fazia-se impiedoso consigo.
Zombava de si, e desafiava-se à luta.

Erguia o punho à indiferença do tempo,
Rebelava-se contra o determinismo.
Atraía-lhe o afeto da suave chuva,
Mas o coração queria tempestade.

Rejeitava o mundo externo
E mergulhava na sua intimidade.
Um jogo de realidade e ilusão,
A verdade lutando com a mentira.

E quem pode dizer o que é certo?
E quem pode afirmar o errado?
Meros servos da moral que somos,
Ainda longe da filiação da ética.

E toda dignidade pode ser encenação.
E todo idealismo, exercício de hipocrisia.
E então possuidores, seremos desprovidos.
Crentes da riqueza, seremos miseráveis.

A dor aguda pode anestesiar.
O marasmo pode tornar-se costume.
A indiferença pode justificar a covardia
E muito querendo, pode-se ter nada.

Te Espero

Gloria Salles

Nunca tinha caído assim tão fortemente a ficha
de que somos apenas pensionistas da vida,
apesar de desde menina ter descoberto
que todos nós estamos aqui
apenas de passagem!

Gosto da Marina Colasanti por isso:
suas verdades, mesmo sendo
tão óbvias e tão simples, nos dão alfinetadas.
Pelo menos é assim que funciona comigo.

Que saibamos então tornar grandes
os pequenos momentos
e transformar o nosso quarto
num castelo, em nosso santuário,
onde ele possa servir de proteção e de abrigo,
mas que jamais deixemos que o medo nos afaste
da janela e desse nosso contato
gostoso com o mundo e com as pessoas.

O externo também é muito importante,
mesmo que alguns neguem.
Não somos ilhas, mesmo nos dando
tão bem conosco
e com o nosso íntimo!
Não nos bastamos.
Não sempre.

Que tentemos conservar o nosso quarto
arrumadinho a todo instante,
assim não teremos
muito trabalho na hora de o devolvermos,
se possível ainda mais belo
do que como o recebemos:
agora ele fará parte de nós, e nós dele.
Haverá uma história morando ali,
ainda que nós não mais.

A História de Lilly Braun

Edu Lobo/Chico Buarque

Como num romance
O homem de meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse xiiiis
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão foi desde então
Ficando full
Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues
Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris
E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê
Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar
Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz

Para Viver Um Grande Amor

Toquinho / Vinicius de Moraes

Cantado
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
Falado
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso.
Muita seriedade e pouco riso, para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher.
Pois ser de muitas, pôxa!, é pra quem quer, nem tem nenhum valor.
Pra viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro, seja lá como for.
Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada
E portar-se de fora com uma espada para viver um grande amor.
Cantado
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
Falado
Para viver um grande amor direito, não basta apenas ser um bom sujeito.
É preciso também ter muito peito, peito de remador.
É sempre necessário ter em vista um crédito de rosas no florista,
Muito mais, muito mais que na modista!
Para viver um grande amor.
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas,
Molhos, filés com fritas - comidinhas para depois do amor.
E o que há de melhor que ir para a cozinha e preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha para o seu grande amor?
Cantado
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia.
Falado
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto,
E até ser, se possível, um só defunto pra não morrer de dor.
É preciso um cuidado permanente não só com o corpo, mas também com a mente,
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente e esfria um pouco o amor.
Há que ser bem cortês sem cortesia, doce e conciliador sem covardia.
Saber ganhar dinheiro com poesia, não ser um ganhador.
Mas tudo isso não adianta nada se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada para viver um grande amor.
Cantado
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia

terça-feira, 13 de julho de 2010

Depois Da Chuva

Isabella Taviani / Zélia Duncan / Jorge Vercilo

Fecho os olhos pra cantar
Deixar meus passos nesse chão
Suave a noite
Leva a voz e o coração
Melodias leves de alcançar
Mal te vi jurei que não
Não deixo o mundo te levar
Me abraça e passa
A vida inteira é uma canção
Que todo dia eu faço pra te dar
Te confortar, te distrair
Tanto frio
E eu sei um sol pra te aquecer
Depois da chuva um horizonte
E nossas roupas vão secar
Tantas coisas por fazer
Erros fáceis de acertar
Longe e perto de você
Pouco mais pra te dizer
Tudo escrito num olhar
Sonho pode acontecer.

Paralelas

Belchior

Dentro do carro, sobre o trevo
A 100 por hora, o meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
No escritório, onde trabalho e fico rico
Quanto mais eu multiplico diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio
Vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos
Nem te lembras de voltar,
De voltar, de voltar...
No corcovado quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão
E as paralelas dos pneus na água das ruas
São duas estradas nuas
Onde foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar
Abro a vidraça e grito quando o carro passa
Teu infinito sou eu,
Sou eu, sou eu, sou eu
No corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
E as borboletas do que fui voam demais
Por entre as flores
Do asfalto em que tu vais...

Diga Sim Pra Mim

Isabella Taviani

Eu pensei em comprar algumas flores
Só pra chamar mais atenção
Eu sei, já não há mais razão pra solidão
Meu bem, eu tô pedindo a sua mão

Então case-se comigo numa noite de luar
Ou na manhã de um domingo a beira mar
Diga sim pra mim
Case-se comigo na igreja e no papel
Vestido branco com bouquet e lua de mel
Diga sim pra mim
Ahhh , Sim pra mim

Eu pensei em escrever alguns poemas
Só pra tocar seu coração
Eu sei, uma pitada de romance é bom
Meu bem, eu tô pedindo a sua mão

Então case-se comigo numa noite de luar
Ou na manhã de um domingo a beira mar
Diga sim pra mim
Case-se comigo na igreja e no papel
Vestido branco com bouquet e lua de mel
Diga sim pra mim
ahh Sim pra mim

Prometo sempre ser o seu abrigo
Na dor, o sofrimento é dividido
Lhe juro ser fiel ao nosso encontro
Na alegria,a felicidade vem em dobro
Eu comprei uma casinha tão modesta
Eu sei, você não liga pra essas coisas
Te darei toda a riqueza de uma vida
O meu amor

Então case-se comigo numa noite de luar
Ou na manhã de um domingo a beira mar
Diga sim pra mim
Case-se comigo na igreja e no papel
Vestido branco com bouquet e lua de mel
Diga sim pra mim
Sim pra mim

Case-se comigo
Case-se comigo
Case comigo meu amor
Case-se comigo
Case-se comigo
Case comigo meu amor

domingo, 27 de junho de 2010

A Canção da Saudade

Olegário Mariano

Que tarde imensa e fria!
Lá fora o vento rodopia...
Dança de folhas... Folhas, sonhos vãos,
que passam, nesta dança transitória,
deixando em nós, no fundo da memória,
o olhar de uns olhos e a carícia de umas mãos.
Ante a moldura de um retrato antigo,
põe-se a gente a evocar coisas emocionais.
Tolda-se o olhar, o lábio treme, a alma se aperta,
tudo deserto... a vide em torno tão deserta
que vontade nos vem de sofrer mais!
Depois, há sempre um cofre e desse cofre
tiramos velhas cartas, devagar...
É a volúpia inervante de quem sofre:
ler velhas cartas e depois chorar.
Que tarde imensa e fria!
Nunca mais te verei... Nunca mais me verás...
Lá fora o vento rodopia...
Que desejo me vem de sofrer mais!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Eu Te Amo Calado

Lulu Santos

Não existiria som se não houvesse o silêncio
Não haveria luz se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim

Cada voz que canta o amor não diz tudo o que quer dizer
Tudo que cala fala mais alto ao coração
Silenciosamente
Eu te falo com paixão

Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer

A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim

Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer
(E digo)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Árvore Da Amizade

Daya Bastos

A amizade é como uma semente...

Se a lançar-mos em um chão árido e cheio de pedras,
ela secará e perderá a vida...

Agora se a lançarmos em um chão fértil, ela vingará,
e neste local nascerá uma linda árvore!!!

Mas lembre-se:
Muitas vezes a lançamos em uma boa terra,
mas por falta de zelo e cuidados, ela acaba secando e morrendo...

Por isso, cuide bem de sua árvore da amizade...

Afinal,
uma pessoa sem amigos,
acaba se entregando e caindo em muitas das barreiras que a vida nos impõe...

Já aquele que possui lindas árvores da amizade,
pode até cair em uma destas barreiras,
porém sempre terá alguém para lhe dar a mão e ampará-lo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Tamanho Das Pessoas

William Shakespeare

Variam conforme o grau de envolvimento...

Uma pessoa é enorme para você,
quando fala do que leu e viveu,
quando trata você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e sorri destravado.

Uma pessoa é pequena para você,
quando só pensa em si mesma,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento
em que teria que demonstrar o que
há de mais importante entre duas pessoas:
- A amizade,
- O respeito,
- O carinho,
- O zelo,
- E até mesmo o amor.

Uma pessoa é gigante para você,
quando se interessa pela sua vida, q
uando busca alternativas para o seu crescimento,
quando sonha junto com você.
E pequena quando desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa,
quando compreende,
quando se coloca no lugar do outro,
quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa
reger por comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar
grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento,
pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho
de um AMOR que parecia ser grande.

Uma ausência pode aumentar o tamanho
de um AMOR que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade:
as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,
mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão,
e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.

O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso,
nem os músculos que tornam uma pessoa grande...

...é a sua sensibilidade, sem tamanho...