Poesias Escondidas


Uma pequena demonstração do amor pela nossa língua e nosso idioma, mesmo quando a poesia ou a letra de música for de autoria de um estrangeiro, sendo ou não radicado no Brasil, só serão publicadas as traduções ( caso o idioma não seja a língua portuguesa )...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Eu Ando Assim, Meu Amor

Eduardo Barqueiro

O desejo aumentando...
Suspiros e devaneios,
Arfante roçar de seios,
Meu corpo está te chamando...
Percebo, dia após dia,
Que me desejas também.
E, enquanto não chega a hora,
Eu sonho, tal como agora,
Que desta vez você vem.
Que gosto terá teu beijo?
Um sabor de ambrosia
É o que estou imaginando,
Mas só saberei sugando
A tua boca macia...
Que aroma terá teu corpo?
Perfume de sedução...
Quero cheirá-lo inteirinho,
Saboreá-lo todinho,
Explodindo de paixão...
Nesta espera alucinada
Por tão ansiada festa,
Prazeres que tanto quero,
Em meu desejo sincero,
Aguardar é o que me resta.
Quero entregar-me inteira,
Com total insensatez,
Deixar-te me devorar,
E alucinadamente gozar
A nossa primeira vez...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Fogo

Eduardo Baqueiro

Amor, estou morrendo de saudades tuas
Veja como fico quando paro para pensar em você
Minha temperatura sobe,
a saudade dói em meu peito
Não sei o que tem em você que me deixa assim
tão doida
Talvez seja o modo como me trata,
Me maltrata quando quero,
me ama quando preciso
Ou talvez seja esta paixão que me incendeia
o corpo todo
Ai amor, não sei,
são tantas coisas que me liga a você
Este ciúme que não me deixe um instante sequer
O medo que tenho de perde-lo
Vem amor, vem esfriar este corpinho em brasa
Vem me deixar cansadinha
e tirar este tesão que me atina
Não quero mais nada
a não ser o toque de tuas mãos
em meu corpo
Quero me deliciar de teu prazer,
derreter ao contato de teu corpo
Vem meu homem,
mais uma vez explorar sua pequena
Use e lambuze deste meu corpinho
que somente a ti pertence
Mata esta saudade que tenho de você
Acalme minhas taras e me deixe quatro.
Vem meu menino vadio,
sussurra lindas palavras só para mim
E depois me deixe adormecer em teus braços
para nunca mais acordar deste sonho lindo...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Coração De Mulher

Rosangela Oka

Coração de uma mulher
Guarda segredos mil
Nem ela consegue desvendar
Qual é o seu ardil
Por mais que intenta...
Querendo se entender
Coração com seus mistérios
Faz do amor seu ministério
Mas ama de modo errado
Como borboleta de flor em flor
Não se importando se é amado
Se irá causar ou sentir dor
Vive de muitos conflitos
Ama e deixa de amar
Na alma ecoa seus gritos
Acaba por a si mesmo magoar
Sem de a vida usufruir
Assim segue, vai vivendo.
Não consegue se definir
Sozinho, aos poucos vai morrendo.

Antes De Ti

Giane Navega

Antes de ti -
Escrever era pragmático.
Dois versos superpostos
um aqui, outro ali.
Tudo simples, estático
sarcático.
Naquele tempo, sem você...
palavras eram peças calculadas
cuidadosamente estudadas,
jogo fugaz para entretecê.
Hoje muda, calada
no tinteiro a pena descansada
de saudade a boca amordaçada,
continuo como ontem...
Sem você!

Não Te Quero

Pablo Neruda

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,como um cego.

Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Copacabana

Edu Lobo

Existem praias
Tão lindas
Cheias de luz
Nennuma tem o encanto
Que tu possuisTuas areias
Teu céu tão lindo
Tuas sereias
Sempre sorrindo

Copacabana
Princesinha do mar
Pelas manhãs
Tu és a vida a cantar
E à tardinha
Ao sol poente
Deixas sempre
Uma saudade na gente
Copacabana
O mar eterno cantor
Ao te beijar
Ficou perdido de amor
E hoje vive a murmurar
Só a ti Copacabana
Eu hei de amar

Amor & Medo

Casimiro de Abreu

Quando eu te vejo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, ó bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
"Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"

Como te enganas! meu amor, é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes.
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me enternece os seios,
E ao vento fresco do cair das tardes,
Eu me estremece de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea — ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

Ai! se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia:
Diz: — que seria da plantinha humilde,
Que à sombra dela tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho
E a pobre nunca reviver pudera.
Chovesse embora paternal orvalho!

Ai! se te visse no calor da sesta,
A mão tremente no calor das tuas,
Amarrotado o teu vestido branco,
Soltos cabelos nas espáduas nuas! ...

Ai! se eu te visse, Madalena pura,
Sobre o veludo reclinada a meio,
Olhos cerrados na volúpia doce,
Os braços frouxos — palpitante o seio!...

Ai! se eu te visse em languidez sublime,
Na face as rosas virginais do pejo,
Trêmula a fala, a protestar baixinho...
Vermelha a boca, soluçando um beijo!...

Diz: — que seria da pureza de anjo,
Das vestes alvas, do candor das asas?
Tu te queimaras, a pisar descalça,
Criança louca — sobre um chão de brasas!

No fogo vivo eu me abrasara inteiro!
Ébrio e sedento na fugaz vertigem,
Vil, machucara com meu dedo impuro
As pobres flores da grinalda virgem!

Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço,
Anjo enlodado nos pauis da terra.

Depois... desperta no febril delírio,
— Olhos pisados — como um vão lamento,
Tu perguntaras: que é da minha coroa?...
Eu te diria: desfolhou-a o vento!...

Oh! não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito!
És bela — eu moço; tens amor, eu — medo!...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Doce Recordação

Cy Mrzepka

Dedilho algo no piano e meu pensamento volita
em algum lugar que já estive no meu passado.
Fecho os olhos com saudade e , então penso,
o ontem em relação ao hoje... está tão distante.

Ontem , eu tinha uma menina tão linda , brejeira,
de cabelos lourinhos e olhos azuís, encantadores,
que brincava comigo pela casa...parece que ouço
seus gritinhos contagiantes - "NÃO PARE, MAMÃE"

Hoje, que passou tão rápido em relação ao ontem,
me encontro, no momento, tão só na recordação
e muito envolvida nesse pensamento engraçado.
O tempo galopou com seu alazão e me tornou vovó .

Obra Inacabada

Cy Mrzepka

Sempre entendi teu olhar
fascinante que me enviava
mensagens não codificadas,
pois nunca foi segredo
o que sentias por mim.

E, eu tão prontamente
com mãos de artista,
esculpi muitas vezes
o teu corpo sem o cinzel.

A obra?
A obra ficou inacabada...
volta, ainda dá tempo...
para terminar !

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Emotividade Da Cor

Gilka Machado

A Dolores Marques Caplonch e a Miguel Caplonch

Sete cores — sete notas erradias,
sete notas da música do olhar,
sete notas de etéreas melodias,
de sons encantadores
que se compõem entre si,
formando outras tantas cores,
do cinzento que cisma ao jade que sorri.

Há momentos
em que a cor nos modifica os sentimentos,
ora fazendo bem, ora fazendo mal;
em tons calmos ou violentos,
a cor é sempre comunicativa,
amortece, reaviva,
tal a sua expressão emocional.

Lançai olhares investigadores
para a mancha dos poentes:
há cores que são ecos de outras cores,
cores sem vibrações, cores esfalecentes,
melodias que o olhar somente escuta,
na quietude absoluta,
ao Sol se pôr...
Quem há que inda não tenha percebido
o subjetivo ruído
da harmonia da cor?

(...)

— A Cor é o aroma em corpo e embriaga pelo olhar.
Cor é soluço, cor é gargalhada,
cor é lamento, é suspiro,
e grito de alma desesperada!
Muitas vezes a cor ao som prefiro
porque a minha emoção é igual à sua:
— parada, estatelada
dizendo tudo, sem que diga nada,
no prazer ou na dor.

Olhar a cor
é ouvi-la,
numa expressão tranquila,
falar de todas as sensações
caladas, dos corações;
no entanto, a cor tem brados,
mas brados estrangulados,
mágoas contidas,
mudo querer,
ânsia, fervor, emotividade
de desconhecidas
vidas,
que se ficaram na vontade,
que não conseguiram ser...

Cores são vagas, sugestivas toadas...

Cores são emoções paralisadas...

(...)

Publicado no livro Estados de alma (1917).
In: MACHADO, Gilka. Poesias completas. Apres. Eros Volúsia Machado. Rio de Janeiro: L. Christiano: FUNARJ, 1991, p. 141-

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Estâncias Para Música

LORD BYRON

Lord Byron

Alegria não há que o mundo dê, como a que tira.
Quando, do pensamento de antes, a paixão expira
Na triste decadência do sentir;
Não é na jovem face apenas o rubor
Que esmaia rápido, porém do pensamento a flor
Vai-se antes de que a própria juventude possa ir.

Alguns cuja alma bóia no naufrágio da ventura
Aos escolhos da culpa ou mar do excesso são levados;
O ímã da rota foi-se, ou só e em vão aponta a obscura
Praia que nunca atingirão os panos lacerados.

Então, frio mortal da alma, como a noite desce;
Não sente ela a dor de outrem, nem a sua ousa sonhar;
toda a fonte do pranto, o frio a veio enregelar;
Brilham ainda os olhos: é o gelo que aparece.

Dos lábios flua o espírito, e a alegria o peito invada,
Na meia-noite já sem esperança de repouso:
É como na hera em torno de uma torre já arruinada,
Verde por fora, e fresca, mas por baixo cinza anoso.

Pudesse eu me sentir ou ser como em horas passadas,
Ou como outrora sobre cenas idas chorar tanto;
Parecem doces no deserto as fontes, se salgadas:
No ermo da vida assim seria para mim o pranto.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Noturno Vulgar

Rimbaud

Um sopro abre fendas operádicas nas paredes, - embaralha o eixo dos tetos podres, - dispersa os limites das lareiras, - eclipsa vidraças. - Pelas videiras, apoiando o pé numa gárgula, - desci nesse côche de uma época bem indicada pelos espelhos convexos, almofadas bojudas e sofás distorcidos.
Carro funerário do meu sono, solitário, casa de pastor de minha tolice, o veículo vira sobre o mato da grande estrada desaparecida: e num defeito no alto do espelho, à direita, giram pálidas figuras lunares, folhas, seios; - Um verde e um azul escuros invadem a imagem. Desatrelagem perto de uma mancha de cascalho.
- Aqui vão assobiar às tempestades, e às Sodomas, - e às Solimas, - e aos animais ferozes e aos exércitos, - (Postilhões e animais de sonho vão voltar sob as matas mais sufocantes para me afogar até os olhos na nascente de seda) - E a nos enviar, açoitados por ondas crispadas e bebidas derramadas, rolando entre latidos de dogues...
- Um sopro dispersa os limites da lareira

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Senhoras Do Amazonas

João Bosco

Rio, vim saber de ti
E viVi teu tropical sem fim
Quadrou de ser um mar
Longe Anhangá
Tantas cunhãs e eu curumim
O uirapuru(Oh lua azul)
Cantou pra mim
Rio, vim saber de ti
Meu mar
Negro maracá-jari
Pará, Paris jardim
Muiraquitãs
Tantas manhãs - nós no capim
Jurupari(Oh Deus daqui)
Jurou assim:
- Por que fugir se enfim me queres?
Só me feriu como me feres
A mais civilizada
Senhoras do Amazonas que sois
Donas dos homens e das setas
Por que já não amais vossos poetas

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Vamos À Luta

Gonzaguinha

Eu acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada...(2x)

Aquele que sabe que é negro
O coro da gente
E segura a batida da vida
O ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco
De um jogo tão duro
E apesar dos pesares
Ainda se orgulha
De ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim
Pede uma cerva gelada
E agita na mesa
Uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira
Suada da luta
E faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí...
Acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada...
Aquele que sabe que é negro
O coro da gente
E segura a batida da vida
O ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco
De um jogo tão duro
E apesar dos pesares
Ainda se orgulha
De ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim
Pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo
Uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira
Suada da luta
E faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí
Eu acredito
É na rapaziada!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Lenora

Edgar Allan Poe

Ah! foi partida a taça de ouro! o espírito fugiu!
Que dobre o sino! Uma alma santa já cruza o Estígio rio!
E tu não choras, Guy de Vere? Venha teu pranto agora,
ou nunca mais! No rude esquife jaz teu amor, Lenora!
Leiam-se os ritos funerários e o último canto se ouça,
um hino à rainha dentre as mortas, a que morreu mais moça.
E duplamente ela morreu, por que morreu tão moça!

"Pela riqueza a amastes, míseros, o seu orgulho odiando,
e, doente, a bendissestes, quando a morte ia chegando.
E como, então, lereis o rito? Os cantos de repouso
entoareis vós, olhar do mal? Vós, o verbo aleivoso,
que o fim trouxestes à existência tão jovem da inocência?

"Peccavimus; mas não se irrites! O réquiem tão solene
e embalador ascenda aos céus, que a morta já não pene!
Para aguardar-te ela se foi, tendo ao lado a Esperança
e tu ficaste, louco e só, chorando a noiva criança,
meiga e formosa, que ali jaz, magnífica, sem par,
com a vida em seus cabelos de ouro, mas não em seu olhar,
com a vida em seus cabelos, sim, e a morte em seu olhar.

"Ide! Meu coração não pesa! Sem canto funeral,
quero seguir o anjo em seu vôo com um velho hino triunfal.
Não dobre mais o sino! que a alma em seu prazer sagrado
não o ouça, triste, ao ir deixando o mundo amaldiçoado.
Ela se arranca aos vis demônios da terra e sobe aos céus.
Do inferno, à altura se conduz e lá, na luz dos céus,
livre do mal, da dor, se assenta num trono, aos pés de Deus!"

Palavras Que Choram

Madalena Santos

Palavras que chorampalavras que choram
são lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
são sentimentos que do coração saem.
é dor que sai do nosso coração
é paz que alivia a nossa alma
é o fim de um furacão
e o começar da calma.
é sossego que invade o nosso ser
é vazio que se sente no peito
são lágrimas pelo rosto a escorrer
por algum mal que nos foi feito.
lágrimas que caem
são sentimentos que no coração moram
e que quando do coração saem
são palavras que choram.